
Subi no ônibus. Acomodei-me em um assento depois da catraca. Essa é a conversa (no celular) que se seguiu:
- Não, não. Eu já te falei. Não dá certo a gente. Você me cobra...
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- Eu sei, eu sei. A sua mãe sempre falava a mesma coisa. Pô, o que eu posso fazer se...
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- Magina. Quantas vezes deixei de fazer as minhas coisas, abri mão dos meus programas, amigos...
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- Que? A Regina falou isso? Ela só pode estar louca. Você e ela. Duas loucas. Eu vou sumir da sua vida de vez. Daí você pode se juntar com essa Regina e zuar. "Cata" quem você quiser. Eu não vou mais nem querer...
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- Nunca mais! Você tá me ouvindo? Nunca mais você vai me ver ou ouvir falar de mim. Esquece meu nome, meu telefone...
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- Eu já, eu já. Já avisei lá em casa para não te atenderem. Eu fiquei muito magoado com você. Você fez tanta coisa que para mim você já era, mano. Juro mesmo. Prefiro...
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- Que? Fala mais alto. Fala para fora. Onde você está?
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- Atrasada? Mas eu preciso resolver isso. Te liguei mesmo para resolver isso. Eu nem queria ter ligado, tá ligado? Mas é que eu...
...
- Me erra, mano. Eu só te liguei mesmo porque eu tenho esses créditos da TIM para gastar com você, senão eu perco e não posso usar com ninguém. Deixa acabar que você nunca mais vai ouvir falar de mim. Nunca mais...
Desci no meu ponto me perguntando como alguém, na vida, é capaz de ligar e ficar quase 35 minutos com uma pessoa que (supostamente) odeia só para não perder créditos de ligação. Foi uma experiência, um tanto quanto, surreal. Fuck it. Crisezinha de merda.


