Sunday, June 21, 2009

A Veri do jipe


Um pouco antes de eu fazer 18 anos, meu sonho era ter um jipe. Desses bem esportivos, altos, azul. Pensei que o pessoal podia falar: “A Veri, do jipe” ou ainda “Quem? A Veri do jipe?”. Eu ia fazer historia. O problema eh que quando eu tive dinheiro suficiente para comprar um carro, foi um Ford Ka 1.0.

Continuei persistindo em um dia ter um jipe. Mas quando eu finalmente tinha habilitação e dinheiro para parcelar um jipe, eu já não tinha mais vontade dele. Eu tinha sede de avião. E um avião me trouxe para Australia – onde, depois de anos a fio, permaneço. Sem jipe, sem dinheiro para jipe, mas bem mais feliz com aviões no momento. Eles cruzam oceanos!
PS. “... hacendo camino al andar...”
PPS. Voce eh do tamanho do seu sonho. Go for planes!

Saturday, June 6, 2009

A cor do racismo


Quando se fala em racismo, vem a imagem do sul e do norte dos Estados Unidos brigando na Guerra Civil. Ou do Barack Obama ganhando as eleições presidenciais. Ou dos bolivianos que moram perto da minha casa no Brasil. Mil coisas vêm à cabeça. Mas o que eu descobri ontem eh que o racismo não tem cor. Ele eh loiro dos olhos azuis, moreno dos olhos verdes, ele eh asiático, negro, azul, Pink moscato. Juro. O racismo vem fantasiado de todas as cores, quase difícil de ser enxergado a olho nu.


Uma garrafa de whiskey, cerveja, musica, um sing along and all na minha casa. Desde as 13h30, depois do brunch. Conversa vai, conversa vem, meu amigo Irish já estava caindo de bêbado. Dorme, acorda, bebe mais um pouco. Dorme, acorda, mais um golinho por finesse. E a gente conversando, rindo, relembrando historias de faz tempo.

O vizinho de cima passando para entrar na casa dele, o chamamos para entrar. “Hey, hey, entra ai, vamos tomar uma birita”. E eles entram - um casal lindo e querido – meio bêbados também. Uma Corona, um copo de água e mais conversa. Compraram o ape de cima há 10 meses, reformaram, querem que a gente os visite, blábláblá.

Eis que o amigo bêbado, out of the blue, lança algo do tipo: “Vocês, australianos, não sabem trabalhar”. O vizinho, meio atordoado, retruca: “Sorry, mate, can’t really understand what you are saying”. Acho que num esforço de não brigar na casa dos vizinhos, sei la. Peace all the way. “You, aussies, can’t work. Do you think you can work? You can’t work at all.” Eu, tentando mudar de assunto, achando que o amigo bêbado já tinha passado do limite 5 minutos atrás. “Listen, man, what are you saying?”. “We, Irish, built the world”.
Too much, man. Waaaaaay too much. Did you build the world? Did you? Who are you, a God of some sort? Eu fiquei muito, muito desorientada, com uma raiva que não sentia ha tempos. Queria pular no pescoço dele, bêbado imbecil. Como ele vem pro pais dos caras e fica zuando os caras na MINHA casa? Se eu tivesse uma pedra, eu tacava nele. Nunca presenciei uma cena de naked racism tão nítida e tão de perto. Me senti mal, estou me sentindo ate o presente momento.

O bêbado levantou, o aussie levantou, mas não rolou porrada-porrada. O bêbado foi para casa e eu quase morri de vergonha. Po, eu sempre tentando fazer amizades com os vizinhos e a minha primeira chance meio arruinada. Fiquei muito triste, de verdade, achei desprezível a atitude do amigo bêbado. Lembro da minha amiga japa querida que disse que os asiáticos são mais trabalhadores que o resto do mundo. I mean, it’s a LOT to say. You don’t know the rest of the world, do you?

A partir de hoje vou evitar fazer comentários racistas, depreciativos ou estereotipados. Exemplo? Os japoneses são blábláblá, os libaneses são blábláblá, os brasileiros são blábláblá. Embora sejamos marcados por traços importantes das nossas culturas, eh cada um no seu quadrado. Eu não quero ser comparada com – hum – a Carla Perez. Oh, Veridiana is Brazilian just like Carla Perez. Yes, they sure look alike. Not quite. Assim como o Obama nao deve querer estar na mesma bacia do Bush. Ou os austríacos daquele cara que teve filhos com a própria filha. Entende onde o bicho pega?

Shame on you, amigo bebado, shame on you!

Monday, June 1, 2009

O desejo


Eis que me deparo com um ponto crucial de divergência entre as duas praticas que ando estudando: Catolicismo e Budismo. O ponto? O desejo.

Na mesma semana o tema abordado no Budismo dizia que o desejo e a pratica da Lei salvam as pessoas da escuridão fundamental. Ou seja, desejando sair da escuridão (procurando a luz, o estado de Buda) e desejando coisas (amor, dinheiro, saúde, felicidade – you name it, you desire it) você atinge a sabedoria. Aqui, o desejo eh bom.

Por outro lado, na missa de domingo, o padre disse o oposto. Segundo ele (e segundo o folheto da missa), o desejo te afasta do Senhor, da criação: “ You cannot belong to Christ Jesus unless you crucify all self-indulgent passions and desires”.

BTW, self-indulgence is all over the place – in Marketing strategies inclusive. Compre isso, compre aquilo, se de uma hora de massagem tailandesa. Ou ainda: Beba VB, você merece – a hard earned thirst.

Acho que a Igreja Católica precisa recriar certos pensamentos para sobreviver. Eu acho que a gente merece gastar o dinheiro que ganhou em alguma coisa – material – que nos faca feliz. Não necessariamente só buscar o material ou só viver dele, mas precisamos de coisas sim.

Esse grande gap entre coisas que acredito esta me confundindo bigtime!

Que se faca luz!

O hino nacional do desespero


Depois de tantas musicas que marcam a co-dependencia, a impossibilidade de felicidade “by yourself”, que deliberadamente dizem que só somos completos aos pares (ou aos trios, muitas vezes), eis que surge uma que me chama atenção.
Beyonce, belíssima, forte, blábláblá, cantando: “If you like me, then you should put a ring on it...”, ou, em outras palavras: “Case comigo agora, me peca em casamento, vamos ser felizes, prove que me ama”. Self-respect is a bit out of fashion, I reckon!
Medo.
Ah! Saudades do SBT. Só percebi que em 2008 não assisti ao SBT quando cheguei aqui na Austrália. E um canal que você passa, facilmente, batido. Não vou menti: assisti Chaves algumas vezes e fui conferir que Carlos Nascimento tinha realmente saído da Globo. Mas fora isso... nada. Deu saudade dos nomes bizarros de filmes. eg: “O grande encontro da turnê” ou ainda o clássico: “Pequenopolis”.
Saudade.