Monday, December 17, 2007

A Ana Carolina


Era uma vez...

Uma menina que morava em Sao Paulo. Estudava perto da escola, fazia ballet depois da aula quando era pequena. Depois cresceu um pouco e resolveu estudar musica. Tinha a melhor caligrafia do mundo, escrevia recadinhos coloridos para suas amigas. Fichario rosa de ursinho da Disney. Diario com cadeado. Roupinhas bonitinhas, sempre so tidy. Cabelo liso, preso com rabo de cavalo e uma franjinha de leve. Frufru colorido. Stripes purple e pink. 15 anos na Disney. Com direito a passeio no carro da Cinderella e tudo. Only 100 extra dollars. Fez catequese, primeira comunhao, passou o natal em Paris. Foi ao Vaticano, viu o Papa de longe. Ganhou um carro novo aos 18 anos, que usava para ir a Academia. Tinha o corpo das deusas. Bracinho duro, perninha dura, bumbum duro. A barriga tinha uma leve demarcacao muscular quando ela ria. Ela ria um sorriso perfeito concertado no dentista e clareado na estetica. Ela ria o sorriso dos ricos. Os pais tinham um negocio proprio e ela sonhava em ser feliz. Muitos menininhos aqui e acola, mas ela tinha uma secreta paixao recalcada pelo namoradinho da quinta serie. Eles ja tinham se beijado, trocado uns apertos no bumbum e passeado inumeras vezes. Os pais eram amigos. Vizinhos, na verdade. Ele estudou Direito. Advogado. Mas a historia nao eh sobre ele. E sim sobre ela. Um dia se reencontraram na rua. Ela estacionando o carro na garagem. Esperando o portao automatico abrir lentamente, ele veio e a asustou. Terninho a pampa, pasta boring de homem crescido. E um convite no bolso: "Semana que vem eh meu aniversario, voce quer vir?". Ela foi. E eles nunca mais se desgrudaram. Ela colocou na gaveta os outros dois casinhos que estava cultivando, e se misturou naquela mistura doida de antigamente. Namoraram uns bons anos, combinaram de casar. Papel passado. A ferro, sem um amassadinho. Ela jamais estaria amassadinha. O pai dela comprou uma casa no bairro vizinho. Com sinuca e churrasqueira. Fizeram uma festa de arromba. Decoraram a casa (de china a travesseiro) com os presentes dos convidados. Organizaram incontaveis festas no fundo do quintal com DVD do casamento e biscotti. Com chafariz e champagne de Champagne, France. Sabonetinho no banheiro, oleos, penteadeira, quadros. Uma casa construida. Uma casa bege. Hoje a menina-mulher comanda o negocio dos pais e o garoto sortudo advoga causas ganhas. Ele nao se faz perder.


Ta achando que essa sou eu? Nao. Essa e a ficticia Ana Carolina. Conhecida como Carol. Aquela menina perfeita que nasceu com tudo, veio com tudo, e a passeio nao esta. Eu aqui numa irrevogavel luta contra mim mesma tentando descobrir o que la vitta is all about. A minha vida nunca foi tao facil com namorado-de-infancia-vizinho, pais amigos, empresa pronta. Eu tive que andar caminhos tortuosos para hoje dizer que nao me arrependo. Tenho todos os meus flaws, os meus apegos e desapegos. Amo uma pessoa que nao mora na casa ao lado. Minha vida nunca foi assim. Bloody hell. Por que para mim sempre tem que ser mais dificil?


Mamae says: Deus da a cruz conforme podemos carregar.


He might think I am Mickey Tison of the cross-carriers.


I might think that too.


Hum?

Friday, December 14, 2007

Bosnia


A amapo nao tem mais trabalho.

A Lan Chile nao quer me levar para casa ate o fim de Fevereiro.

Estou indo para Indonesia em uma semana.

E mesmo assim me dei o direito hoje de decorar a minha casa para o Natal. Guardanapo, copo, talheres e afins. Ate arranjo de porta. Vou receber Jesus em estilo e, de quebra, meus irish mates tambem. Session is ON.


Para contrabalancear... fiz minhas proprias unhas, nao cortei o cabelo, vi duas calcas da Billabong e nao comprei, almocei resto da janta de ontem.


See, I learned well "Financial Records&Budget".

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A minha amiga de Montenegro (ou Servia, sei eu) disse que as novelas brasileiras sao populares no pais dela. Que orgulho. Ah! E tambem uma mocinha do Peru lembrou de uma novela famosa la. Esqueci o nome, mas tinha a Carolina Ferraz e o Du Moscovis. Ele era piloto de aviao, pertencia ao nucleo pobre da novela. Hum... como eh mesmo... well, a musica era: "To com saudades de voce debaixo do meu cobertor, te arrancar carinhos, fazer amooooor..." (sic)

Precisa ver que maravilhoso com um spanish accent.

Amo.

Caliente.

Tche.

Hot.

Pelou.

Fui.

Friday, December 7, 2007

Passo 1


By leaving KJ I didn't know I was actually walking my first step towards home.

And walking home necessarily means leaving my Stevo behind.

Em menos de um mês estarei em terras brasilis, creio eu. Não é uma decisão tão fácil quanto parecia lááá no começo. Meu que caí na real ontem. E doeu para caralho. Sem dó nem piedade da língua-mãe. Hoje vejo que sou minha própria inimiga, dependendo de onde eu chegar. Saudade da época em que o Tripa-Seca, Pé-de-Pano e Fura-olho eram os piores bandidos e inimigos das mocinhas.

I don't wanna be my self-destroyer.

Semaninha supimpa em Wollongong.

What a gentleman. Babe, I will take you to the real mexican.

Beers, cobertor, beijinhos.

Ai, dói foda.

(Mas o mundo ainda precisa do meu sorriso)

Monday, December 3, 2007

Des, Ão & Inho

The ability to love.

The ability to learn.
The ability to move in together.

The ability to meet a new you.

The ability to forget the hurtful past.
(even though still hurts like a motherfucker)

The ability to grow.

The ability to spread the love.

The ability to be happy.

The ability to come and show.

The ability to decide it's about time to let it go.

The ability to organize yourself and move back.

The ability to see the start point as a come back point.

The ability to give it a shot.

The ability to leave a great, great love (r).
The ability to see beauty and chances in the nest.

Hey, you, don't des my ability.
I am gonna rock and roll.
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So, well, estou ensinando de novo o conceito de ão e inho pro Stevo.
Don't ever settle for a inho. We want a ão.
Not in an American way of living (carrão, mansão, mercedão)
In a veri way of understanding.
Don't ever settle for a trabalhinho, empreguinho, vidinha, carrinho, amorzinho.
We wanna go big.
Go ão.
Pipizão, amorzão, lovezão, projetão, trabalhão, outcomão!
He got it all right!
That's basically why I love him. He calls me and say ....... grande!
Lindo.
Lindo.
Lindo.
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Enquanto isso... nervosa em pedir demissão. Bem nervosa. Sem motivo. Fuck it.
Acordei, liguei pro Lucas as arranged, biquini, praia.
Mar gelado na medida certa.
Água limpa as anything. No seaweed.
Nadei, nadei, nadei e nada via a metros de distância.
Just making it clear so we know that I never ever ever said I didn't like it.
I thank our Lord every single day of my life for the great things I've accomplished.
Plus: the great ocean, the animals, the life!
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Séan quer vir morar com Stevo quando eu for embora.
Fiquei meio p at first. Meio mulherengo, safado, full of girls around.
But, at the end of the day, if doesn't work out, he's gotta be the one that saves me.
And after all, you're my wonderwall.
Compreendi.
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Só.

Wednesday, November 28, 2007

Him/Her


HER

Mais um dia. Oh, no. Eu lembro que odiava abrir os olhos. Ai, doia saber que o sono tinha acabado. Enquanto eu dormia, era a única parte do dia - míseras 6 ou 7 horas - em que meu coração não doía. Mas o sol chegou, a quarta-feira mais quente do ano. E eu levantei, against all my will, tomei café e um banho. Sem a mínima vontade de nada. Passei 3 das 8 horas em que estive no trabalho, na enfermaria. Calmantes, chás, conversas. Painkiller. Asshole killers would have been nice! Comecei a terapia, comecei a beber depois da terapia. Toda quarta era dia de Sasha. Mudava só a companhia. Raras as meninas de 25 anos que bebem toda santa quarta-feira religiosamente. Eu estava sempre lá. Comecei a beber de quinta, de sexta, de quinta e de sexta. Eis que um dia, entre desilusões e reuniões de pauta, surge uma idéia. Um convite para fuck off. E eu agarrei the world by the balls and yelled: "Fuck everybody, I am going to Oz..."


HIM

Ele morava num barco. Passava duas semanas on board, uma semana off in land. Duas semanas entre Iceland e Ireland, uma semana em Inis Mór. Dormia em bunks (3 horas por dia), comia potato salad e digestive cookies com tea. Sem muitos amores, sem muitos sonhos. Só o de ter seu barco um dia. E sair pescando e velejando o mundo. Uma vida not very excited. Cumprindo o que sabia fazer: tailling prawns. Um dia, um amigo também pescador de Mayo, veio com o convite para fuck off. E ele agarrou o world by the balls and said: "Fuck all, I am going Down Under".


HIM&HER

Eis que um dia, o destino assim quis, que he and she (or him and her) se conheceram. Trocaram figurinhas, números e cervejas. Dali para dividir uma casa, uma garrafa de vinho e uma vida, foi um pulo. E todos os dias agradecem a Deus pela oportunidade de terem se conhecido.


MORAL DA HISTÓRIA: Há seus motivos. Podemos não dar o devido valor no momento, mas temos que acreditar. E mover montanhas.

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Te amo, Stevie!

You are one of a kind.

Tuesday, November 27, 2007

Singer

Segura nessa ponta. Tá. 1,2,3. Lift.
Desce geladeira.
Desce sofá de 3 lugares.
Desce uma máquina de costura Singer.
Põe tudo no caminhãozinho do Stevo.
- Para onde, Paulo?
- Oatley.
E para Oatley vamos. Falando de música, governo, guerra, futebol, cidadania. Que aliás, Paulo acabava de tirar a sua. Ele conheceu a mocinha em meados de 1990 esperando um ônibus em Londres, a convidou para uma cerveja, ela aceitou. Ele veio para cá, ficaram juntos alguns anos, aplicou para seu visto de residente. E assim foi.
Essa é a parte rosa da história.
Aquele dia era o dia da separação.
O dia que, por um motivo ou outro, eles decidiram que não mais viveriam juntos. Ou ele decidiu e ela acatou. Ou vice-versa. Dificilmente é uma decisão conjunta. Alguém sempre tem que sofrer. Alguém tem que amar mais, logo alguém ama menos. E alguém, nesse caso, decidiu que seria a hora de ela ir para outro subúrbio.
Eu nunca a tinha visto, embora sempre encontre Paulo por aí. Chegamos lá, descemos do caminhãozinho. Sem assunto. Abre a porta uma mulher grande. Maior que ele em altura e largura. Olhos azuis e a voz mais macia do mundo.
- Hello, come on in!
Ela era uma avó anos atrás. Imagina uma avó antigamente quando ainda não é avó. Era ela. Querida, macia, interessada.
- So I heard you are going to London...
- Yes, we are. Just for a while, though. Couldn't keep up with the weather.
Eu não queria necessariamente falar de Londres e das memórias do lugar. Sabe-se lá que tipo de sentimentos trazem à tona e ao coração dessa mulher. Ajudei com uma coisinha ou outra. Ela era too big para ajudar com qualquer coisa. O apartamento vazio, cara de mudança. Mil caixas, e alguns LPs no chão. Yes, she could be a granny. O lugar estava vazio de materiais, mas cheio, tão cheio de solidão.
- So how was your week?
Ela perguntou ao Paulo. E eu fingindo que procurava pelo Stephen.
Uma conversinha bem informal entre os dois.
Ela oferece água. No, thanks.
Quando já não havia mais móveis a serem alocados ou água a ser oferecida, um silêncio mórbido tomou conta do local.
- So...
E ela ofereceu dinheiro pelo favor. Nos negamos a aceitar. You have suffered enough, dear, keep your money. Ela disse que pagaria cervejas depois que voltássemos de viagem.
- We can arrange a beer on me. They said the roof has an excellent view and a great spot for a barbie.
- Sure, anytime.
We all agreed.
Saímos de lá, não falamos mais sobre isso.
Todos sabiam que nunca haveria churrasco ou que os dois se veriam de novo. Bens trocados, partilhas, divisões e regras estabelecidas.
Duas semanas mais tarde ele estava saindo com outra mulher...

E assim foi.

Sunday, November 25, 2007

Devaneios de Vênus Mulher


- Estava pensando em te pedir em casamento.
- Hum?
- Isso. Pensei em reunir todos os seus amigos para um jantar, garrafas de vinho, pedir que tocassem uma música nossa. Ou qualquer música romântica.

Engoliu seco a torrada com manteiga.

- Daí eu pararia a música e diria que te amo, que nunca quis ir embora, que sempre te quis comigo. Que nós somos bons juntos e que não há nada no mundo que vá tirar você de mim.

Um gole de chá.

- Eu te daria uma aliança de ouro branco. Me ajoelharia a teus pés e começaríamos a chorar. Você me tira para dançar e todo o restaurante bate palma. O que você acha?
- Eu acho que você bebeu demais.

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Se eu te pedir em casamento, eu perco a minha talvez única chance de ser pedida em casamento. Aliás, quem disse que tem que ser assim?

Wednesday, November 21, 2007

My cardio, my heart


My cardio...

Once, muita sabiamente, Carrie Bradshaw disse que não faz compras pelo Ebay porque fazer compras é o "cardio" dela. Fair enough. It should be my cardio too. Eu tenho aproximadamente 100 pares de sapato e me delicio só em passar pelas lojas. Sem um tostão. Vendendo almoço para comprar a janta, mas linda entrando na MNG e babando. O fato é que as roupitchas e vestidos que eu vejo nas lojas me ajudam a acalmar o sono e me colocar para dormir. Believe it or not, há aproximadamente 3 coisas que eu penso antes de dormir (naqueles últimos minutos entre deitar e cair in a deep sleep). Primeiro, eu faço uma breve oração pedindo por mim, pelas pessoas que amo e pelos animais. Depois somente adormeço pensando ou num vestidinho bom que vi no Westfield ou em alguém. ie: Sawyer. Mas desde que Lost acabou não há mais Sawyer em mi vida. Please, WB/ HBO, coloca esse homem em outro seriado. Ontem.


Todo dia que pego o trem, passo pelo shopping just for the sake of looking. And, man, they have some nice stuff over there! Hum...


My heart...

Por todas as coisas que já aguentei no KJ, acabei me acostumando com tudo. Ok. I am a F idiot. Ok. I am a putana. Ok. I know you gonna start giving out. Tudo passa a ser normal. Mesmo que hurtful. Já andei perdendo o sono muitas e muitas noites. Comprei umas pills e, por causa da minha campanha "don't pop pills, pop corn", eu não estou tomando mais. Conto com meu cardio diário no shopping mall. Sexta-feira tive um mini-caso de chororo em frente à indogirl amada. Ela me ouviu, se posicionou a meu favor e me trouxe flores no dia seguinte. Mais chororo. E uma conversa muito franca, onde ela disse que não, não concorda com aquele behavior. Fine. Domingo de praia, giving out sobre o mesmo assunto em Coogee. He is dirty, how old is he again?, who in hell would like him?


E a minha anger passa a ser a anger dos meus amigos de fora e, reconhecidamente, a anger das pessoas de dentro também. Como se uma idéia, paradoxalmente, só venha mesmo a existir quando ela explode. Aprendi isso em aulas de teatro em 1996. Hoje se aplica. Toda a tristeza-slash-raiva-slash-cansaço do KJ foi reconhecido em co-workers. Tá. Mas o que era para ser bom, um alívio, um desabafo, se tornou uma bomba-relógio. Porque, como as idéias quando compartilhadas aumentam, a raiva também aumenta. E não sei se aguento mais.


On top of that, coloca a Megha do Nepal e a Summer da China falando a mesma coisa hoje no almoço. I don't think I can handle this any longer. It hurts so badly. It F does!


My cardio and my heart, together, need a reavaliation!

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O brother da Slovakia vai me dar 100 dólares para fazer 2 assigments para ele. Haja saco!


Due to insatisfaction at work, my return to Brazil should be sooner than expected.


You got it!

Tuesday, November 20, 2007

Campanha Anti-Drogas


Frases e idéias geniais que as pessoas falam e que eu só vou absorvendo e levando comigo.
Tem o Hugo Hurley, de Lost, que sempre vem com as MELHORES afirmações. Seguidos por Sawyer, também de Lost.

- Dude, we are lost!
- I will tell you how he knows stuff. This guy, sees the future, dude.

- Whoever named this place "Black Territory", genius.

- That's uncool, dude.

Enfim. Sempre pirei em tudo, tudo o que ele diz. Ele é uma comédia ambulante.
Outras frases mega-powerful que eu devo não esquecer.

- Share the love, Paul! (Fiona para seu namorado que carregava o saco de cervejas).

- I don't like kiss-and-tell, but he cheated on you a lot this weekend. (Phoebe B. to Precious).

E a minha contribuição contra as drogas e a favor de frases de efeito é:

- I don't pop pills, I pop corn! (Veridiana Gravina em momento inspirado).

ADORO
ADORO
ADORO

Um dia estarei no hall of fame.
Somewhere.
Anywhere.
Elsewhere.
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Na sala da justiça... Mr. Trent me deu o day off. How extremely convenient, isn't it?

Monday, November 19, 2007

Vai plantar potatoes!

Excuse me.
Sure. What's up?
Can I see your passport, please?
Of course!
Oh, well, what is my visa doing in your passport?
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Olha lá embaixo!
O que tem?
Chega mais perto.
Hein?
Daqui, olha daqui.
Splash!
E caiu da ponte.

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Tá. Que a Maggie usa meu visto desde meados de Julho do ano passado, ok. É uma coisa que me incomoda deveras, mas que por um motivo ou outro eu fui deixando não me atingir. Horas porque eu tenho certeza que meu lugar é em São Paulo, horas porque eu me coloco no lugar dela e imagino que deva ser mais fácil ter um visto de 4 anos como residente. Fine. That's fine. Mas por duas vezes o fato de ela ter meu visto no passaporte já europeu e já cor bordô (bordeaux?) hit me like a bomb.

A primeira foi lá em Outubro, Novembro last year. Eles aplicaram pro visto em Julho. Eu conheci o Stevo dia 06. Pegou o visto dia 06 de Agosto ou algo parecido. Aplicaram para o defacto, que saiu meses depois. A gente se lamentando em Bondi de eu ter que pagar 1000 dólares a cada 3 meses, ter que ir na aulinha picareta do professor de Bangladesh (sim, é um país) e só trampar as 20 horas legais. Eis que chega uma mensagem dela: "Happy days. I got the visa". O governo estupidamente aussie reconheceu a irish girl como namorada do meu namorado e conferiu a ela (que porra, já é irish, já fala inglês, já tem olhos verdes) um visto semi-eterno. Um quase passaporte para o sucesso. Doeu minhas entranhas. Doeu demais.

Reclamei por meses, chorei de raiva, pensei alternativas. Mrs. Walsh, a agente da imigração que cuida do caso, disse que era simples as anything: liga para sua empresa, avisa que trocou de namorada e pega esse visto que lhe é de direito. O problema é que, fazendo isso, a nossa querida Maggie teria 28 dias para deixar o país. OU, alternatively, ela podia ir colher frutas. Parece piada. Mas é a mais piadística das duras realidades. Para pegar o visto dela e transferí-la para um working holiday visa número dois, ela teria que ir colher frutas por 3 meses em Victoria.


- Is there anything else that she could do to extend her visa? (perguntei para a mocinha da empresa de recolocação)
- Yes. She could work in a meat factory.
- I beg your...
- Yes. Packing meat.

Tipo, história de terror. Ou você se mata na lama da fazenda. Ou você vai trabalhar num matadouro.


- Tell her, Veri, that she can go picking cherries, grapes. She does not necessarily has to pick up potatoes or carrots.
- I am sure this will convince her.
- Or she can go packing fruits. Easy.

Easy para você que nasceu dona de uma cidadania australiana. Enfim. Como você pode mandar alguém assim: "Ai, vai plantar batata porque eu quero o seu visto". I can't believe in life. Too sarcastic sometimes. Se é cherries e grapes, você pega aqui em cima. Potatoes e carrots tem que ajoelhar num calor traumatizante de global warming-sem-camada-de-ozônio. E haja moscas que pousam em você!

O fato é: parei de me torturar com essa história tempos atrás. Quando fui para o Brasil S/A, descobri um país com minha vovó Elena, minha mamãe, café preto bom e amigos always there for you. Isso me convenceu de que meu lugar é na South America. No entanto, com a chegada do fim de uma era de dois anos, a pergunta se instala: Why? Why leave Oz? E a vontade de ter meu visa de volta ao passaporte verdinho com minha carona na porta da frente, aumenta. Muita raiva.

Sempre achei que a Maggie não sabia que eu queria o visto. Tenho certeza que, sendo minha amiga (e o mais importante: sabendo o quanto o Stevo gosta de mim), se ela soubesse que eu estou indo embora por causa do visto, ela me dará com certeza. E eu, que nem mais polite me preocupo em ser, pego sem pensar. Ok. Sempre achei isso. E estava feliz assim. Eis que domingo estamos em Coogee. Eu estou falando com Monica e Michelle, duas queridas do KJ, Stephen está falando com o Irish crew.

Ok. Horas mais tarde ele vem e me diz: "Maggie said she is gonna move to Bondi. If I wanna move with her..."

Que?
Que?

Ela sabe que eu vou embora. Ela sabe o PORQUÊ de eu ir embora. E já está tramando com meu namorado o meu falecimento. Como se nada fosse. Eu vou. E a vida (e o visa) continuam. Ai, dói. Não quero vê-la por umas boas semanas. Juro. Tô muito pê da vida. Eu jurando que a amapô não sabia. Sabe o que mais me irrita? Se fosse qualquer outra pessoa (ex. Anna striperella da Inglaterra) e eu estivesse contando para ela, ela diria: "This visa is yours for right. Go and take it, Veri. Do it".

Ai, dor de estômago só de pensar.
Vou acender um cigarro.
Raiva.

Ciao.
Até tinha mais assuntos, mas não rola.
Ciao.

Wednesday, November 14, 2007

Turn the page, mate!


Inis Mór do topo de Killeaney.

Lá da menor igreja da Europa.

Será que um dia eu consigo virar a página?

Certainly hope so.

Ou não. E fica aí na mesma página...
...going on and on...

Share the love, ma'am!

A voz uníssona (?) da Summer me irritou. Falando baixinho, sem nenhum stress em nenhuma pontuação. Meio rouca. A Miki gritando e falando japonês no almoço. Michelle conversando comigo enquanto Ben olhava. Vento. Suor. Steven da casa do chapéu me perguntando vinte vezes a mesma coisa. Are you working tomorrow? Yes. What was that? Yes, I am working tomorrow. Hum... Are you going to work tomorrow? Argh. Tudo me irritou hoje.

Argh! Detesto dias de ressaca.


Downward emotional spiral. Você se sente mal porque está de ressaca. Se sente gorda. E come. E come porque se sente gorda e porque está de ressaca. E bebe porque está com raiva que é gorda. E acorda com ressaca. E come de ressaca. E é gorda porque come na ressaca da comida. E chega! É só um exemplo. Como se fora um espiral do silêncio. Há o espiral da emoção.


Dude, you are lost!


Monday, November 12, 2007

An impulse

A drink-dialling impulse é o pior dos nossos inimigos numa separação.
Breakup and breakover.
Get over it. Move on.
Por alguns momentos, penso em escrever um email.
Oi, como vai? Sort of thing.
Sonhei com você, lembrei de você, vi um filme que era sua cara.
Essa matéria da Folha.
Eu, tô bem, obrigada. Hum... nada demais. Não, não. Ainda não sei.
Mas tô bem. Escola, carreira, família, coração.
Isso, acho que foi dessa vez. I think he is the one.
Jura?
So, why are you calling me?
Hein, mocinha?
Hein, hein?
God knows o que se passa nessa cabeça perturbada...

Whatever it takes


Assistimos o filme "Lions for Lambs" ontem. Meio paradão, conversas e conversas. Pouco sangue. Melhor assim, quem sabe. Fala sobre a incessável mania de vitória dos EUA. Whatever it takes. Win, win, win. Tirando o foco do Iraque, colocando no Afeganistão. Uma guerra que nunca acaba. A Rolling Stones de Setembro falava sobre alguns jovens que se alistaram no exército e morreram em combate. Pelo que percebi, eles andam em seus tanquinhos pela cidade de Bagdá e cabum! Uma bomba explode. Eles são tratados no hospital local. Muitos são negligenciados e sangram até morrer. Mas, cara, por que cazzo cullo que algum médico vai ajudar um soldado que está matando sua família? Que mundo cão é esse em que co-existimos?

Enfim. O fato é que o filme foi meio clichê porque os 2 mocinhos que morrem em combate, atravessando o Iran para chegar no Afeganistão, são: um latino e um negro. Não é sempre assim. Existem os caucasianos lá também. Mas os escritores de filmes americanos têm que dramatizar e colocar uns estereótipos gritantes na telinha do cinema.

O bom de tudo foi poder ver o Tom Cruise. De terno, coletinho, no papel de senador republicano. A younger Clinton, no partido contrário. Definitely not a George Bush. Mas, man, como ele continua lindo. Anos e anos depois. Lembro que tenho um poster dele no meu armário do Brasil, que data de 1990 e poucos. No filme "Cocktail". Hum, que clássico. Cruise is a classic himself. Como um terninho Chanel. Always in fashion!

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Stevo em Wollongong. Abandonada em Sydney. Lonely, lonely, lonely.

Som na caixa, DJ: Boa sorte, de Vanessa da Mata & Ben Harper. Uma sempre muito bem-vinda indicação de Right de Deus!

Att,

Desmond
Scottish Pride Inc.
First Hatch
(108)156-2342

Sunday, November 11, 2007

Diga-me com quem tu andas?


- Te falei que ela está me devendo dinheiro?

- Mentira. Quanto?

- Uns bons mil reais. Emprestei ano passado, sabe? Ganhei um bônus do trabalho, resolvi dar uma de Madre Teresá de la América del Sul.

- Ah, meu...

- E não é só pelo dinheiro, sabe? É mais a consideração. Ela precisava pagar a mortgage dela lá do apê que ela comprou na praia.

- Chique tua irmã.

- Chique...

PAUSA

- Você quer uma cerveja?

- Não, vou tomar vinho hoje. Me acompanha.

- Claro. Dois house, por favor.

- Tá, mas continua.

- Tem o dinheiro, daí ela aparece com blusas novas, calças novas, celular que cabe no meu ouvido. Quase entupiu meu canal auditivo!

- Mentira.

- Juro. E tem aquele carrinho importado, financiado e tals. Mas e daí? Eu continuo apostando nacional, cara.

- Eu sei.

- Mas, deixa, ainda vou falar com ela. Isso não se faz. Putz! Te falei o lance do namorado?

- Qual?

- Ela está saindo com um mocinho do trabalho e o namorado não faz nem idéia...

- Sério?

- Juro. (Olhando pro copo de vinho, afogando todas as mágoas resistentes e que sabem nadar!)

- Será que você não está exagerando, Gi?

- Nada, menina. Tenho certeza de tudo que estou te contando.

- Olha? Se é mesmo verdade, acho que tua irmã é uma folgada, desnaturada, traidora e cruel. Deve ter faltado para ela uns bons tapas na poupança.

- Que?

- Tapas na poupança!

- Escuta: quem é você para falar assim da minha irmã?

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Believe me or not, de quem a gente ama, só a gente pode falar mal.

And that's about it.


ps. História fictícia para ilustrar um experimento que já passei por n vezes na vida.

Eu falo, você ouve.


Olé!

Wednesday, November 7, 2007

Caiu


"You give peanuts, you get monkeys",
Tony Bozo Man from Oz.

E, na real, ele tá certo.

Levei um tombo brabo.
Toda errada.
Assim e assado.
Energia pesada no KJ.
Heavy as, mate!
Só olhando o Heinneken para acalmar. Ou falando com a minha Gabi no telefone. Eu disse: "Parabéns, amor!". E ela: "Parabéns para você também!". Broken heart.
Yo

Tuesday, November 6, 2007

The two me


Inscrição para mil trainees no Brasil. Preencher fichas e fichas de CVs. Nome completo, CPF (o que é CPF mesmo?), mãe, pai, histórico escolar. Um porre. Alguns sites você usa o mesmo para 2 ou 3 empresas. Mas a maioria te obriga preencher over and over again.


Abro outro email. Estágio na Austrália. Aplico, enquiry, perguntas. Dinheiro, aplicações, PR.


Entro no site da Abril, inscrição para Trainee lá. Checo o Catho. Mil vagas de Comunicação. Inglês fluente para ser telemarketing. Ah, tá.


RH de empresa na George St. Mando email. Quero um proper job. Entrevista. Bom.


Volto para a net e sou convocada para uma entrevista no Brasil.


Brasil. Austrália. Brasil. Austrália.


Me pergunto se tenho foco nessa vida. Aplico para trabalhos lá, tentando ficar aqui. Mil e uma coisas, sem a menor direção. Será que dá para sobreviver assim? Sem saber o que se quer direito, sem direcionar esforços para UMA coisa? Será? Minha inbox do Gmail must wonder: Where da hell is this girl? Me sinto uma mulher traindo seus próprios sentimentos cada vez que me vejo entre um email da Oz e um email do Brasil. I am unfaithful. Damn it!


O que eu faço para acalmar minha mente conturbada é dizer a mim mesma que eu vou embora em Fevereiro, mas sempre tentando ficar na Oz. Até o último minuto. Até o fim. No aeroporto de Sydney, lá em 17 de Fevereiro, vou me candidatar para um job. Não desisto. Never.

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Ontem foi Melbourne Cup.

Glamour.

Sem night shift.

The indo took it.

"Already, brother.", Desmond.


Yo

Just a quote

"Digam o que disserem, o mal do século é a solidão".
Disse Renato Russo. Concordamos todos.
Amém.

Tuesday, October 30, 2007

I wanna be a SpiderMan!


"Eu que nunca fui assim muito de ganhar,

junto às mãos ao meu redor

Faço o melhor que sou capaz

só pra viver em paz...",

Los Hermanos.


Muito, muito, muito bom.

Esses são os verdadeiros vencedores.

The others? The others are the losers.

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Esse findi é aniver da princesinha Gabriela, a minha afilhada maravilhosa e gostosa, que completa 4 anos. Por causa do Halloween, eles foram comprar uma fantasia para ela e a menina Gabi queria ser o SpiderMan. Que orgulho da minha pequena! Poucas princesinhas estão dispostas a abrir mão do seu trono e da sua coroa, para vestir uma roupinha de seuper-herói, escalar paredes e salvar o mundo. Ela vai salvar o mundo. O meu, pelo menos. Deliciosa.

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Estava indo trabalhar, mas me ligaram que não está busy. Humpf. Até tudo bem, mas agora já estou de cabelo lavado, trocada, etc. E nem se discute a dificuldade em sair da cama. Bloody KJ. Cadê o meu KL para me consolar?

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Aniver da Mana. Mate de beers, baladas, revezas, Giocondas, Festecas, festinhas, descobertas. The real queen of getting dirty.

Amo, admiro e mando votos de felicidade.

Com ou sem ilha.


Alrithy, then!

É nóis.

Are we the champions?


"Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar amor".


Los Hermanos, sem noção essa frase. Parece que a gente corre tanto, tanto, inescrupulosamente tanto atrás de ser um vencedor que, quando pegamos o troféu, ele nem é tanto aquilo tudo que nos pareceu lá no começo.


A amiga Lú sabiamente mandou a música toda.


E viva os que já se conformaram e levar a vida devagar.

Esses já são os vencedores.

Sunday, October 28, 2007

O meu ídolo BA

Se você sabia disso há tanto tempo, por que nunca fez nada a respeito?
Não sei.
O fato é; BA e eu temos exatamente as mesmas condições. Ou não. Assim, curso de graduação, experiência na área, vontade de ficar, anseio por uma vida melhor. Ok. Mas o que ele tem e que me falta é a inocência de acreditar que dá para mudar.
A gente que sabe mais coisas, segundo FDaryns, coloca mil e um obstáculos e dificuldades e problemas e dúvidas em uma coisa tão simples quanto: ir e tentar. Ai, mas é muito dinheiro. Ai, mas e o trabalho? Mas eu sou brasileira. Mas estágio de novo? Mas, com tantos aussies, por que eu? Mas, mas, mas. E de tanto criar os "Mas" da minha cabeça e lançar um sempre que o cerco fechava, o BA foi, veio e venceu. Assim, como quem nada quer.
A gente acha que sabendo mais, estamos em melhor posição. Nem sempre, caro Watson. O que ele tem de mais, é muito na verdade, o que eu tenho de menos. Sei dessa possibilidade há muito mais tempo que ele, no entanto nada fiz. Enfiei um milhão de "howevers" e "even thoughs" bem na minha frente.
Como a história da águia que vive anos e anos e anos com as galinhas. Cisca, choca o ovo, come, nem voar, ela quer voar mais. Ela se convenceu de que é galinha. Quando alguém inconformado com essa perda de memória da águia vai e ameaça jogá-la do alto, ela voa. Sim. Porque por mais que pensemos ser galinhas enquanto vivemos com elas, uma águia sempre é águia. Depois de hot waters, tap waters, slice of lemons, bit of this and a bit of that, it's time to let go the chicken and become the eagle I wanna be.
You will give it a go!
Hell, yeah!

Thursday, October 25, 2007

Tips&Co.

Trabalhando recentemente em Almoços rather than at Dinners, something drew my atention!
Embora se espere mais de pessoas que vão jantar num restaurante japonês com a taça de vinho mais barata a 12.50 AUD, no almoço as pessoas são mais audaciosas. Na hora da gorjeta. Muita gente rica vai e gasta seus 450 dólares num American Express BLACK (válido até 2012) que pesa mais que a minha carteira toda e, sem pudor algum, risca o espaço reservado à gratuidade. Nope. I don't wanna tip them. E não porque o serviço, a comida ou o ambiente tenham sido ruins. O que pesa, nesse estudo observatório que realizo diariamente, é a visão alheia. Explico-me melhor: No almoço você geralmente está almoçando com seu colega Manager X de Finanças Y da empresa W. Hora de impressionar. Mete lá os 10%. Na verdade, como não é regra tipar aqui na Oz, os caras geralmente arredondam. Para 250, 300, 350. Ou escolhem um número aleatório: 23! E bum. "Wow! He is a nice guy, tiping away nicely there", o Coordenador pensa. Sem economias.
Outro fator que concluo aqui é que geralmente quem dá as tips são os que pagam a conta sozinhos: "No, no. I will take care of it". Cool. E bota um gorjetão ali. O resto da mesa só falta aplaudir. As meninas "pretend" they are not seeing it. Tossem, arrumam o sapato. "I'll just go quickly to the ladies'". On the other hand, se os caras vão dividir a conta, é mais difícil (tendendo ao zero) a possibilidade de alguma gratuidade sequer. Às vezes uma moedinha dá sorte de cair lá.
Já no jantar, o marido leva a esposa para celebrar Bodas de Prata ou o filho leva os pais para comemorar seu 21st Bday. Ou ainda, duas irmãs, dois namorados de longa-data, uma amiga confidente pré-balada. Esses, meus caros, não dão tips. Sequer um "Good night, I really appreciated it". A única coisa que deixam no restaurante é uma assinatura num pedacinho de recibo de cartão de crédito. E olhe lá. E por quê? Porque as pessoas que o acompanham já o conhecem há tempos, não há o menor interesse em passar imagem alguma e, portanto, no money. In the business world, or better yet, no "Dog World" em que vivemos das stupid translations e das opiniões alheias, habita também uma coisa chamada "impressionar". E na minha opinião, de mera observadora de lunches and dinners, what I see is People trying too hard to show off.

O mesmo cara que vai no almoço e deixa $45, volta no jantar e leva até a caneta do booklet preto da Conta. We know your plan, man, relax yourself and do us a favor. Stop pretending!

(Não deixa nada mesmo porque yo won't get anything more than $40 anyways!)
(Damn it!)

ps. Li uma boa antiga. "Office keeping techinician"» Cleaning lady! hahaha. Um brinde ao James!

Wednesday, October 24, 2007

Hey, Mrs. Smith, take my apologies!

[fabinho] diz: HAHAHAH
[fabinho] diz: muito bom!
Veri McGravin diz: foi sem pensar!
Veri McGravin diz: que ridicli!
[fabinho] diz: vinha uma velhinha
atrás correndo atras do dinheiro
[fabinho] diz: mas foi tarde demais
[fabinho] diz: vênus embolsou a grana
Veri McGravin diz: velhinha caiu e foi atropelada
Veri McGravin diz: já pensou? lama ahhha
[fabinho] diz: hahahahaha
Veri McGravin diz: instinto!
[fabinho] diz: hahahahaha
[fabinho] diz: era o dinheiro dos remédios
[fabinho] diz: não comprou e teve hipoglicemia
Veri McGravin diz: hahahahaha
Veri McGravin diz: RAIVA
[fabinho] diz: deve estar hospitalizada no momento
Veri McGravin diz: RAIVA
Veri McGravin diz: ALOCAHHH
Veri McGravin diz: isso não é brazil não, Zoppinha!
Veri McGravin diz: O Social Security já reembolsou a Mrs. Smith
Veri McGravin diz: Ok?
[fabinho] diz: certeza
[fabinho] diz: e ainda deu uma grana extra pelo infortúnio
[fabinho] diz: danos morais e o cacete
[fabinho] diz: deve ter recebido uns 2000 dólares só pela brincadeira
Veri McGravin diz: hahaahahhahahaha
Veri McGravin diz: ISSSSSOOOOO
Veri McGravin diz: e a reputation dos brazilians na lama
Veri McGravin diz: pq de certo ela viu meu bronzeado e já concluiu
Veri McGravin diz: "She was either brazilian or indian"
[fabinho] diz: HAHAHAHAHAHAHA
[fabinho] diz: HAHAHAHAHAHAHAHA
[fabinho] diz: e ainda contou na delegacia
[fabinho] diz: "and a latin girl came and took my money"
Veri McGravin diz: hahahaahahahahah
Veri McGravin diz: ISSSSOOOOO
Veri McGravin diz: and ran like she was being chased by the devil!
[fabinho] diz: HAHAHAHAHAHAHA
[fabinho] diz: ROLANDO
[fabinho] diz: e o chefe aqui do lado
Veri McGravin diz: hahaahahahahahahahah
Veri McGravin diz: AMO
Veri McGravin diz: AMO
Veri McGravin diz: AMO


(O fato é: dia desses achei 20 dólares voando na rua. Corri, pisei no dinheiro, segurei na minha mãe e, sem olhar para trás, corri. Corri demais. Contei para meu amigo Zoppa no msn que, maravilhosamente bem, me ajudou no desenrolar da história. Mrs. Smith é somente um personagem fictício dessa trama bem-intencionada.)


Eu amo meu amigo Zoppa.

E amo achar dólares na rua.

Monday, October 22, 2007

Bits and pieces


Desde que voltei da Irish Magical Trip, eu me propus escrever as histórias que aconteceram na ilha. Ou as histórias que compõe a ilha, melhor colocado. São tanto detalhezinhos, tantas coisas que certamente fazem aquele lugar mais mágico. Em uma comparação breve, o Núcleo, onde moramos em São Paulo, Brasil. São mais ou menos 21 blocos com 6 apartamentos cada. Muita gente, para falar a verdade. Too much sometimes. Vamos supor morador 4/2 é meu amigo de datas, sempre nos vemos e tals. Mas um dia brigamos. Ele vai para Barra Funda, eu vou para Atibaia. E nunca mais nos falamos. Podemos fugir. Ayrton Senna, Raposo Tavares, Imigrantes. Rotas de fuga. Numa ilha como a do Stephen, não há fuga. Você briga, você ama, você xinga ou cumprimenta e isso é um ciclo eterno porque as pessoas são basicamente as mesmas desde 1900 e sei eu o quê. Tá, eles podem pegar o ferry e tals. MAS há sempre alguém da família que fica. Mesmo os rebeldes sem causa que se mudaram para Galway ou Londres, ainda tem mais da metade da família naquela sonífera ilha. E isso é incrível.


Aquilo devia ser um experimento social de alguma Universidade americana de Sociologia. Porque, honestly, nunca vi tamanho campo de amostragem! Não há como quebrar o vínculo com a ilha porque todos são meio família e vivem do business local. Isso causa muitas tensões e muita coisa boa ao mesmo tempo, naturalmente.


Coisas importantes da Ilhota perdida no Atlântico Norte:

-Um dia, esquecemos os faróis do carro ligados. Do momento que estacionamos o carro, trancamos, 30 segundos pelo path até a porta, abrir a porta. Trim, trim. Germod avisando que o farol estava ligado. Ok, thanks. Trim, Trim. Oh, thank you. Stephen, Penny just called saying the lights in the car are on. Alright! Celular: Trim, Trim. Anna-Marie? Oh, yes, we know. How do you know? A mulher x do Hostel mais adiante ligou para Anna-Marie (irmã do Stephen) porque nosso telefone estava ocupado. Ocupado com a Penny ligando. Juro. Em menos de 5 minutos, pessoas de 3 diferentes lugares estavam nos alertando sobre o cazzo das luzes do carro. 1984, Big Brother is wathcing you! For crying out loud;

- Existem 2 ferries que vão de Inis Mór a Roseville, 30 minutos de Galway. Uma é de moradores da ilha, outra de moradores de Connemara. Custa em torno de 8 dólares, two way, para moradores da ilha. Paguei morador;

- Um único supermercado, antes sem nome (Poles), hoje é franchising de uma grande cadeia irlandesa de mercados;

- Um restaurante de fast-food: Supermac's com um big ice-cream em frente, quebrando toda ruralidade do local;

- Uns 5 restaurantes, dos quais experimentei dois: Bayview e Pier House. Ambos em Killronan, a vila principal da ilha;

- Algumas atrações turísticas, como o Black Fort e o Don Aenghus. Não pagamos nenhum;

- Mais ou menos uns 15 sobrenomes;

- Um irmão esfaqueou o outro em frente ao filho por causa de terras;

- A filha do esfaqueador trabalha no supermercado franshising e é linda;

- O esfaqueador estava na missa de domingo;

- Duas meninas filhas do mesmo pai com duas irmãs;

- A irmã namora o primo;

- A vizinha vai casar com o primo, irmão do primo acima;

- O único mecânico vive bêbado e não trabalha. Sorte da Holden;

- A maioria dos jovens joga Gaelic Footbal aos sábados;

- O cunhado atropelou um senhor da família naos atrás, ficou low-profile durante um tempo, mas hoje é casado com a irmã e muito feliz, obrigada;


E muito mais na próxima edição das lembranças de minha catchola.

Adoro.

Adoro.


Yo.

4/21 Pop Road, crn. of Hair and Dress Avenue


Anteontem assistindo Australian Idol, Dicko - o mais feroz dos comentaristas - explica para Nathalie (com sua voz incrível) que era aquilo mesmo que ele esperava dela. Ela não é magra, nem loira, nem tem uma cinturinha fina. Ela é meio robusta, cabelão liso preto, traços arábicos. Bonita, I should say. Mas, aparentemente, não estava conquistando a audiência com sua imagem, apesar da voz maravilhosa! Naquela noite de Domingo, ela apareceu com um vestidinho básico meio branco, meio prata. Cabelo solto e meio modelado, maquiagem boa. Na noite anterior ela estava com uma blusinha azul bebê, cabelo preso em rabo de cavalo. Dali, para a nursing home, né Nathalie? Mas, enfim, o que me chamou a atenção foi o diálogo e a analogia usada por Dicko.


"That's what I am talking about. You have to take the Pop Road and turn left.

If you pass Beyoncé, you are in the right track.

If you reach Bjork, you have gone too far".


Que metodologia! Que metáfora compreensível! Que soco no estômago saber que somos mais que nossas vozes, idéias, trabalhos. Somos o que vendemos, como somos vistos por quem vê. Ou seja, a Nathalie é a mesma, mas ela certamente é mais vendável com cabelão solto pretão e vestido Dior que com seu Nurse Outfit. True, but hurtful.


Estou torcendo por ela. Com ou sem embalagem Pop a la Byoncé.


Né?

Friday, October 19, 2007

Duties&Rights


A lição que James aprende (e nós com ele) é que o amor, quando não é atravessado e deformado pelas piores exigências neuróticas e narcisistas, confere ao amante um dever para com o amado, mas nenhum direito sobre ele. Jacques Lacan, um grande psicanalista francês, disse mais de uma vez (a primeira foi, talvez, em seu seminário de 56/57) que o maior sinal de amor é (deveria ser?) o dom do que a gente não tem. Algo assim: "Ofereço-lhe o que não tenho e que você não quer e não me pede". Seja qual for nossa interpretação desse aforismo, ele é certamente o oposto da miséria amorosa ordinária, em que amar significa pedir ao outro o que a gente quer. Ou, pior ainda, pedir-lhe aquela "coisa" de que a gente precisa. (de Contardo Calligaris).


Brilhiante! Temos sim um dever para com que amamos, mas não temos nenhum direito sobre eles.


As easy as it sounds! Ou não.


Me.

Da Couch


(Stage 1)

Oh, hi! I am Veri, very nice to meet you.

Oh, God, she's good.

Great with the customers.

Yeah, I know.

You suit the place. Never leave us.

A cocktail in the freezer. Only for you.

Another one.

Three more.

A bottle.

A call. Come here, we are at the back.

Cigs, fun, cigs, fun.

Music.

Done.

End. THE End.

Europe.

Come back.

Stupid, no organization at all, slow.

Slow. Slow.

Overloading X.

Doing this, not doing that.

Billllll pleaseeeeee.

Ok, ok, fine.

Money, glamour e time. That's what keeps me.

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(Stage 2)

Oh, hi, I am Magali.

Oh, she is gorgeous! Cute and sexy.

What a skin!

Piercing in the neck. Fun!

Jumping up and down. Up and down.

Hus, hugs, hugs.

I love you, sweetie.

She is so sweet.

Great, that's my girl!

By the way, there is a cocktail for you in the freezer.

Try this.

Hum...

Try this now.

Hum...

I am going to fuck her.

Done.

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(Stage 3)

Oh, hi, I am Kellyn!

Oh, man, she is sexy!

Do you work out?

All the Americans have such a great body!

Jes! What legs!

Do we have a dress code?

Not really.

Linen at the counter. Big ass to the air.

Or to the boss.

Yeah. The couch sort of test.

Approved.

Oh, yeah, try this, Kellyn.

What is that?

Choose any cocktail. What would you like?

Hum...

Freezer.

Linen.

Freezer.

Linen.

I am going to fuck her tonight. I tell you later.

Ok. Uhu.

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Agora o que eu me pergunto, incansavelmente, é: como mulheres, China, América, Indonésia, Brasil ou Casa do Caralho, conseguem cair com um "Beautiful Eyes" and a few Martinis? Não que somos fáceis ou mulheres da vida. Mas é muito fácil convencer uma mulher com apenas dois ingredientes. Alguns elogios, alguns free drinks. E pá! Here we are. De 4. Ou how you will please.

Man, life is tricky. Queria alertar as mulheres sobre esse tipo de boss. Creio eu que já aprendi minha lição, Veridiana não mais cometerá the same mistake. HOWEVER, eu queria alertar o mundão! Todo mundão! Diga não a homens ridículos. Especialmente se eles forem ricos e carecas. E se exercerem algum poder sobre vocês. Eu sei que poder é bom, mas fere.

...................................................................................

Em resumo, foi isso mesmo. Todos bebendo e rindo, menos eu. Damn it. E o Benjamin do bar me tirando de useless, shape up, etc. Shut up, man! E eu não ligaria. Mas sexta-feira, seremos eu e ele ali na chincha. Only the two of us. Damn it again! Vou rezar muito. God is on my side.


Está calor e frio em Bondi, Stevo working his ass off in Glebe. Gorgeous. Cozinhou ontem para mim. Veggie sausages e potato com pesto. Assisti Enemy of the State. Ou of the States, if I will. Oh, well, Big Ben is going to call me at 3, setting me free or making me a fool! We will see. Hate that feeling. Come on, man, November and December, then Bum! BALI BALI BALI!


Can't wait, brow!


Bacios todos.

E viva as mulheres que aprenderam a sua lição.

Me incluo nessa lista.

Bacios especiais para Right de Deus e todo o nosso Quiz em Common.

Miss ya, mate!


Vênus Yo


ps. He actually showed me stain in the couch. A golden velvet couch at the restaurant!

ps2. Take Gabriela out of the window! Sweet Stevo.

Thursday, October 18, 2007

Fragmentos


Ontem a Darins veio aqui em casa.

Chegou pelas 6, fomos para Tamarama filosofar a vida. Ela já tá quase indo embora e não estamos deixando a ficha cair. Às vezes parece que estamos aqui há 2 meses, às vezes parece que ja moro há anos. A Austrália é meio confusa. Ou é simples demais, a gente que complica.

Fizemos uma puta retrospectiva desde os tempos de máquina de café na Ticket no 4 andar, passando pelas reuniões na Parthenon, o avião, o pouso. Manly, as casas de família, a primeira cerveja na praia.

Daí, passamos boa parte do tempo falando o que aprendemos aqui na Oz...

1. No mexicano eu aprendi a abrir garrafa!

2. Hoje a gente já coloca limão em toda bebida que tenha coca

3. põe morago em água

4. faz Cosmopolitan

5. reclama da glasswasher do bar que não limpa nada

6. manja de carregar 3 pratos na ida, e uns 7 na volta

7. A gente manja uns canapés, esquema de buffet

8. A gente sabe como polir talheres

9. Como arrumar a mesa

10. Como tirar pedido

11. A gente entende de vinho tinto... cabernet merlot, shiraz, cabernet sauvignon

12. A gente entende de vinho branco... sauvignon blanc (Montana), charddonay, riesling

13. A gente tem uma máquina de fazer café, mas a espuma sai gelada

14. A gente sabe o que é moccha, latte, flat white

15. A gente faz Japanese Slippers e toblerones

16. A gente usa o Micros, cash out e cash in

17. A gente repete o pedido pra confirmar

18. A gente faz torta de limão, mousse de chocolate ou salada de frutas

19. A gente se vira lá naquele restaurante, dá nossos pulos


E conversa sobre tudo, assim, como se nada fosse. Uma coisa bem Paulo Freire, usar objetos do meio que a pessoa vive. Eu seria alfabetizada, nos dias de hoje, com artefatos de cozinha e bar. Experiência for a lifetime. E tem o vestidinho do mexicano, tem o exustor da cozinha. Preciso registrar tudo, senão deixo os anos levarem da minha catchola.

Chegamos em casa, o Stephen fez um jantarzão para gente. Animal. Tomamos breja e vinho. Descemos para Bondi. Balada zuada, companhia boa. Não tô mais numas da night. Meu negócio é baladinha de sentar, beber e talk shit. A música tava boa, mas tava cheio demais.
Mas eu vou ficar vazia quando a Daryns se for. Bem vazia.


E viva os pedreiros delicia da Oz! Que venham 7, e podem dormir na sala! No repouso pós- almoço. Voltei e dormi ao ladinho so Stephen. Hum. Como ele é bom.

INFO: Esse texto foi escrito em meados de Dezembro ou Janeiro 06/ 07. Anotei tudo que falamos porque são coisas importantes que não quero deixar acabar com o tempo. As I said before, I have lost so many things troughout the years from America. It won't happen twice.


In the meantime... Flavinha já está back in Brazil. O vazio nunca foi preenchido. A Austrália tem esse efeito na gente.


Hoje em dia... Por causa de uma frasesinha solta no ar (ou no msn) eu me peguei pensando se já perdi o bonde do emprego.


- O que será que essa menina de 26 anos ficou fazendo 2 anos na Austrália? RP nem pensar, né? - Mas, senhor, eu enumerei a minha conversa com Daryns e tenho ao menos 15 motivos pelos quais eu fiquei na Oz. Coisas que aprendi. Desculpe, senhor empregador, pode parecer bobagem para você, mas foram de fatos as coisas mais importantes que já aprendi.

- No kidding.

- At all. E sabe por que? Porque a gente teve a coragem e a disponibilidade de largar mão de quem nós éramos para nos tornramos quem nós somos. Em outras palavras, quem em sã consciência largaria seu empreguinho ticket-vale refeição-convênio médico para aprender sobre canapés?

- Hum.

- E nós não temos QI, somos o que somos. Viemos, vestimos a humildade e aqui estamos. Pessoas novas. Willing to take the risk.


Bom, esse foi um treino pro discurso. Well, after all, sabe o que eu acho? Que se me perturba tanto, é porque eu mesma não acredito. Por isso preciso de uma auto-afirmação diária. Ok?

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De bem mais longe, chegou carta da Juila Joyce, mãe de Stephen Joyce. Isso, aquele ser maravilhoso que me acolheu tão maravilhosamente em St. Patrick's land. Segue um fragmento da carta:


"... I am delighted, Veri, that you have enjoyed yourself and specially that you felt at home because that's the way I would like you to feel. It took me 3 weeks to accept that you and Stephen were gone back to Australia. You are a lovely person, Veri, and we all love you very much..."


Eu chorei quando chegou, choro agora quando reescrevo. Muita coisa num pedaço de papel.


Oh, well, Julia! What if I tell you that I will never accept the fact that I have "gone" back to Australia? That I still have those Irish Magic moments very alive in my mind? What if I tell you that there is a mission to be accomplished back in Brazil, that I am willing to have a mindful job, hang around with my mates and beers, see my mom and go to the mall with her every single Saturday, eat my grandma's food that she makes with all her love, take care of my grandaughter? However, despite of ALL of these things, I must tell you: it bloody hurts. The fact that I won't have Stephen's potatos to eat, that we won't walk to the church, go to the beach. And that won't be a summer 2008. My July will have plenty of Winter. Sometimes I wish that you or my mom were not as good as you are 'cause that would make easier the whole decision-make process. Love, Veri


Nunca mandei essa carta. Nunca vou mandar. Ela vai ficar aqui comigo. Ela sou eu.

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Enquanto isso, na sala da Justiça... indo pro KJ às 18h. Trent me mandou calar a boca ontem, em frente de um desconhecido. Ben riu. Só para eu lembrar quando eu chutar a bunda deles em Dezembro. Ah! Pela Erina too.


Gone!

Me.

Monday, October 8, 2007

Esse tal desse vírus!




- Vai, filha, brincar com a Mariana.


- Não quero, vó, tô cansada.


- Mas, filha, a Mariana tem tantas bonequinhas para você brincar... e a mamãe dela já está aqui para te buscar...




- Socorrooooo, a Veri tá descendo.




- Não, vó. Quero ficar em casa hoje.


- Vai, filhinha, faz isso para vovó. Depois a gente vai na doceira!




Cara emburrada, Socorro, socorro! embaixo, lá na base da escada. Um sorrisão, um carro ligado na porta de casa. Vou, meio a contra-gosto, mas esqueço logo que não queria ir. Mariana realmente tem bonecas fantásticas!




Anos mais tarde, descubro que só fui jogada na casa da Mariana porque a bendita estava com catapora.




- Sabe como é, filha, é melhor pegar desde cedo!


- Que?


- Catapora, quanto antes melhor. Vê! Você nem tem mais marcas!


- Que?


- De catapora...


- Eu não acredito, vó. Você me jogou com a Mariana para eu ficar doente?


- Só para o seu bem...




(As pessoas insistem em saber o que é melhor para você)




Versão moderna de uma história dos anos 80:




- Filha, a Socorro está vindo te buscar hoje.


- Help, help, é exatamente de Socorro que eu preciso.


- Isso, filha, a vovó sabe. Você quer tomar um café, eu faço rapidinho antes de você ir?


- Com Litrum?


- Que?


- Nada, sarcasmo.


- Filha, você tem que superar. O mundo continua. Os bancos estão cheios, a bolsa de NY em baixa, as pessoas indo trabalhar, outras sendo demitidas. Entenda você que o mundo não parou.


(Soluço)


-... e você tem o poder de se machucar ou, como eu estou sugerindo agora, ir com a Socorro.


- Help!


- A filha dela casou com o Marcos ano passado. Desde então, ele anda saindo com outra mulher. Uma cobradora de lotação.


- Mentira!


- A Mariana já chorou, chorou, chorou. Dias que ela não saiu de casa por uma semana. Agora está lá, toda murchinha. A Socorro quer ver se você pega um pouco desse vírus.


- Do desamor?


- Da desilusão. É um vírus perigoso, ataca de todos os lados. Vai lá, a Mariana tem umas revistas ótimas e assina HBO. É bom pegar esse vírus desde já, assim não corre o risco mais tarde...


- Fui!




(Vovó, por que você nunca me mandou na Socorro ou na Dona Esperança para pegar o vírus do desamor? Agora fico eu sofrendo a cada hisória mal-finalizada, possibilidades de amor ou romances quebrados. Ou a cada sorriso, boca gostosa de dar beijo, cabelinho ralinho ruivinho. Ah, vovó!)


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"You have to let go of who you were, in order to become who you will going to be",


Carrie Bradshaw, minha musa.

Saturday, October 6, 2007

Good Music


Boas músicas para eu não esquecer.


"There is a hole in the box, don't open the booox"


"I get kind of confused until I dance"


Done!


ps. This is Yoki. The good one.

»importante«


Nasci com o cabelo errado.

Ele não é de confiança.

É duro não poder confiar no seu próprio cabelo.

Teoria sim.

The REAL deal


Lose Weight

Stop Smoking

Reduce your Breasts

Learn English Sleeping

Find your soulmate

The job of your dreams

Finance your car

Diploma in 2 years

Earn money from home (up to $1.500,00/week)

Dedicação total a você

Cultivamos Sorrisos

O banco feito para você

Business on Demand


Os caras fazem a vida parecer tão mais fácil e mais prática nesses anúncios e jargões de Marketing, que eu me afogo.

Sério: queria reunir todas as atividades num grande mega negócio próprio.

Eu proveria as pessoas com todos os serviços acima citados, todos seríamos felizes para sempre.

Lá no Far, Far Away de Shrek!

Trabalhar nada! Eu vou investir em mágica.

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Only for the record:


1. Realmente acabei de ver uma lojinha em pacata Edgecliff que dizia: Stop Smoking and lose weight. Heaps cool!


2. Fomos a Collaroy hoje de manhã. Torrei no sol. Bom. Sorte de quem nasceu na Austrália.


3. Meus preconceitos tem sua curva de acentuação. Estou seriamente passando por uma NOW. Não queria ter preconceitos, mas ces't la vie. Some people deserve it.


4. Pie no Upper Crust. Yummi.


5. Quando cheguei na Oz, Março de 2006, apliquei prum job de fazer massagem. Nada de sexo, sem roupa, etc. Só ir a lugares públicos, pedir licença e fazer massagem em alguém. Depois pedir dinheiro. Tudo com uma camisetinha preta escrito Angel X. Peralá, mermão! Eu tô ligada que não há pecados ao sul do Equador, mas daí cê já tá me zuando! Pls. And I carried on my cleaning job...


6. Indo pro KJ. E alguns nomes indo pro freezer. Amanhã eu volto com um Report. A shutdown one, for my health's sake!


Lv ya!


Me.

xxxxxxxx

Wednesday, October 3, 2007

Breathe Clean, Talk Dirty


O Gmail te dá uma capacidade de storage fora do comum.

São emails de mais de ano que ficam ali, guardadinhos na virtualidade do mundo. É prático: você digita uma palavra e ele grifa num amarelo-ouro todos os emails que você a citou. Muita coisa boa veio à tona. Meus primeiros passos na Oz, há mais de um ano.


Caí de para-quedas na viagem da Darin, que foi parceirona de trip. Daí muita coisa rolou. Trabalhos, english, etc, etc. O problema do tempo passar é que ficamos mais exigentes. Existe um standard agora. Coisas que eu já fiz, que eu não faria de novo. Coisas que eu deixei de fazer e que ainda quero fazer. E por aí vai.


A Dream Trip completa um ano agora dia 09. Muitas coisas ficaram daquela viagem. Muitas coisas vão ficar dessa viagem toda chamada Austrália. A praia, o ar puro, a Tooheys New. Coisas que me marcaram forever.


Vejo pelos meus emails que eu nunca senti muitas saudades do Brasil. No começo foi estranho. Eu nunca chorei de saudades. Muitas coisas foram me ligando a Oz. O Stephen é a maior delas. Cada vez que a gente briga, eu tenho vontade de voltar. Mas a maior parte do tempo aqueles olhos me fazem querer ficar. É breguice, eu sei, mas é assim mesmo que eu me sinto. A road para o Brasil está me chamando e eu vou embarcar. Mais cedo ou mais tarde. Só não sei viver de ultimatos, de términos. Só sei viver assim, meio errada. Toda errada.


O lema é um só. E é dele que eu vou vivendo.

Thursday, September 27, 2007

Experience needed


Eis que andando de volta para casa, pego um atalho diferente. Atalho nada. Mais longo, mas diferente. Aqui na Oxford St tem um tainning house sort of thing. Com aparelhões para as aussies ficarem moreninhas. Há umas semanas, tinha anúncio de trabalho. Agora tem um papel que diz:




Massage Soon! 11 Years Experience in Italy and locally.


Até aí, ok. Mas o número 11 estava escrito a mão...


-Faz logo aí o cartaz para gente colocar na porta.
-Mas eu não tenho nenhuma informação dele.
-Qual o nome dele mesmo?
-Piero.
-Põe Itália. Ele é novo?
-Novo?
-Quantos anos tem esse homem, pelo amor de Deus?
-Sei lá, 30, 40...
-Tá. Coloca Experiência na Itália, deixa um espaço pro número e a gente põe mais tarde.
-Ok.

E aí se dão as tosquices em minha mente...

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Eu no café, limpando pela vigésima vez a mesma mesa. Quando você não está busy no office proper job & Co., você vai na net, liga pros brothers, cigarro, café, fofoca. Ou inventa uma reunião. Quando você não tá busy no shitty job, they make you clean. "Veridiana, when we are not busy, we clean, clean and clean". E tô lá eu quase numa paranóia delirante, limpando e limpando as 15 mesas que eles têm, eis que ouço uma música...


"É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe..."


E o dia todo no café foi música brasileira.
Boa. Nada daquela cafonisse pagodeira. Coisa boa.
E, ouvindo aquilo tudo, resolvi ser alegre. E não ser triste.
And carried on my cleaning job.

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Não sabia que as coisas aconteceriam tão assim, tão de sopetão. Mas a imensa vontade de ir para casa chegou e se instalou. Tô considerando puxar o carro. Saco cheio de brigar todo dia, saco cheio desses trabalhinhos e afins. Se ele não me quer de dia, ele não me terá at all.

Afinal de contas, privilegiadamente, nasci em 1981. A reforma libertária feminista já tinha rolado anos antes. Muitos bras já foram queimados para que hoje eu pudesse decidir no que trabalhar. Amigas, a luta continua. Não vou deixar o ato morrer em vão.


Amo.

Amo muito.


Yo.


Friday, September 21, 2007

Da POWER


Ontem no KJ, nosso amigo croata passou dos seus limites.

Um casal querido esperando por uma mesa a 20 minutos, uma mesa disponível de 4 lugares. Ninguém para ocupá-la. Eu os sento, ele xinga.


"Sorry", disse a loirinha aussie funky, "I just overheard sometinhg. I am happy to wait for a suitable table".


"No, you don't have to."


Eu a tiro da sua mesa, a levo para uma das 50. Por que ele tem que ser tão idiota? Você acha que os customers gostam de ouvir o mal-humor dele? Mas, believe me or not, eu aprendi a lidar com ele: No, dear, sorry. Eu não vou brigar com você. Ouço o que ele fala, não respondo e continuo fazendo as minhas coisas... Easy. That's power 1.

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De manhã no sábado, vou até o ATM pegar dinheiro da RENT. Fila. Uma mãe com 2 filhos. Uma menina e um menino que podia ser ouvido da esquina. Gritando, gritando, correndo, mordendo, girando. E minha tolerância zero. Quando eu olho para ele - bang - ele cai. Chora, chora, berra, berra, vermelho. Menino mimado. Mas me senti meio culpada porque ele caiu. Não desejei isso a ele, só queria que ele parasse quieto. Não tenho grandes paciências com criança. If you know what I mean. That's power 2.

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Temos que tomar cuidado no que pensamos.

Pode se realizar.


Vou tirar um nap now!

AMO.
PS: Foto de uma praia no Oeste da Ilha

Wednesday, September 19, 2007

It's freezing in here!


"What is Sofitel doing in the freezer?"


"Hm?


"Sofitel is the freezer."


Vou para cozinha e lá está Stephen segurando a pastinha do Sofitel com todos os materiais, incluindo meu contrato e as normas de OH&S, nas mãos...


"Oh, yeah, I am freezing Sofitel so they can't get to me."


"Oh... Ok...", diz Stephen pensativo, olhando para o papel, olhando para mim... "I thought you were a bit cu-cu."


Também achei que estava enlouquecendo quando colocado pelo Stephen, mas não. Tenho certeza do que estou fazendo. A pastinha está lá desde Segunda e já gerou muitas piadas. Pedi ao Stevo manter segredo, e ele está seguindo à risca. O único problema é que, por causa disso, ninguém me ligou ainda. Desde que coloquei a pasta lá, o telefone não tocou. Weird.


Cada vez que temos um "argumento", Stephen ameaça me colocar no freezer. Silly.

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Especial para Joey e Mamãe Gravina

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Hoje está chuvoso. Prometi acordar às 11am e ligar pro Lucas, não consegui. Sonhei que meu óculos quebrou. Suspeito. Fiquei o dia inteiro enrolando em casa, não quero trabalhar, mas "of course you're working", disse Benjamin querido.


Argh. No.

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Ontem levamos um Floresta Negra com velinhas e um perfume com cartão para Cathy. Juro, nunca vi ninguém tão feliz com uma supresa que eu fiz!

Monday, September 17, 2007

Brazilian Treats/ Xmas Tree


A week later, after 2 emails, Claire called:


- Oh, Veridiana (she manages to say my whole name in quite a good form), I am sorry to hear it didn't work out for you.


Mas, mermão, eu falei há uma semana que não deu certo para mim. Como você fala comigo como se só soubesse agora? Acho que ela, bite me, não sabia que eu tinha abandonado a posto na Terça passada. Isso é só uma prova da importância da minha função e da atenção despendida pela minha manager. Eu saí do emprego há uma semana, no meio de um shift numa terça-feira e ela, super antenada, só percebeu porque eu mandei email.


- Where's hm...

- Who?

- That girl, the brazilian...

- Veri?

- Yeah! Veridiana.

- Oh, she is gone.

- Bitch!


Nunca vou esquecer que larguei um emprego e ninguém percebeu. Como se fora um vaso retirado porque a plantinha murchou. Ou ainda uma árvore de Natal dia 6 de Janeiro que some e, quem não tira, nem sabe o que se passou...


- Marcia, o que aconteceu na sala?

- Que?

- A sala, tem algo faltando.

- Árvore de Natal, eu tirei. Não dá sorte depois da primeira semana de Janeiro.

- Sério? Mas é Fevereiro.

- E você não tinha notado? Faz cerca de 4 semanas que ela se foi...


As árvores, os vasos, as brazilians se vão. A gente não percebe.


Para piorar a situação. Ao invés da querida absorver a informação e me ligar para assinar a carta, não.


- Can you come here tomorrow to talk about this?


Oh, for crying out loud! Já falei com 2 pessoas, já, já, já. Só quero assinar uma carta-padrão de demissão, devolver os pertences do hotel e sumir. Me deixa, Claire.


- So, what didn't work out for you?

- Hum... the fact that you suck!

- What?

- You suck, Claire. Seriously.


Não, não vai ser dessa vez que eu vou chutar o pau da barraca. Só quero assinar e sair. Voltar para Bondi, ir ao shopping, etc. May I? Se demora tudo isso para demitir uma simples Comms que nem notaram que saiu, o CEO tem que dar 1 ano de aviso prévio. Na boa, eu devia só sumir.


Honestly, nem sei o que falar para ela. I didn't fit in. It's not for me. I really appreciate the offer... As pessoas preferem ouvir bullshit than ouvir nada. Sério, o silêncio vale ouro (Zoppa, loveya!). Let me go, Sofs!


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No post de hoje, eu só queria citar o que eu gosto e o que eu não sinto falta no Brasil. Mas meu ser está tomado por toda a desconsideração sofitélica. What a hell! Anyways, o máximo que me lembro que queria escrever é...


Saudades de... docerias (com risoles, esfihas, etc), pastel de feira, caldo-de-cana, vovó Elena, vovó Dino. Tá, sem citar pessoas. Só do Brasil. Humm... shopping de sábado, Redeshop, carro, som do carro, amigos BONS.


Não saudades de... maioria da música brasileira, sertanejo, pagode e a baixaria toda, brasileiros em si, violência, trânsito, stop. I better leave.


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Vou congelar os documentos do Hotel no freezer. De lá, eles não podem me atacar. BTW, São Jorge está comigo. Para que meus inimigos tenham mãos e não me peguem, tenham pés e não me alcancem e que nenhuma arma de fogo me atinja e que facas se quebrem, etc. Há todo um ritual Jorgilístico entre meus atos.


Freezer, here we go! Mom, voltando à tradição!


bacios!

Fui.

Não há Sofihell que me detenha!