
Ontem a Darins veio aqui em casa.
Chegou pelas 6, fomos para Tamarama filosofar a vida. Ela já tá quase indo embora e não estamos deixando a ficha cair. Às vezes parece que estamos aqui há 2 meses, às vezes parece que ja moro há anos. A Austrália é meio confusa. Ou é simples demais, a gente que complica.
Fizemos uma puta retrospectiva desde os tempos de máquina de café na Ticket no 4 andar, passando pelas reuniões na Parthenon, o avião, o pouso. Manly, as casas de família, a primeira cerveja na praia.
Daí, passamos boa parte do tempo falando o que aprendemos aqui na Oz...
1. No mexicano eu aprendi a abrir garrafa!
2. Hoje a gente já coloca limão em toda bebida que tenha coca
3. põe morago em água
4. faz Cosmopolitan
5. reclama da glasswasher do bar que não limpa nada
6. manja de carregar 3 pratos na ida, e uns 7 na volta
7. A gente manja uns canapés, esquema de buffet
8. A gente sabe como polir talheres
9. Como arrumar a mesa
10. Como tirar pedido
11. A gente entende de vinho tinto... cabernet merlot, shiraz, cabernet sauvignon
12. A gente entende de vinho branco... sauvignon blanc (Montana), charddonay, riesling
13. A gente tem uma máquina de fazer café, mas a espuma sai gelada
14. A gente sabe o que é moccha, latte, flat white
15. A gente faz Japanese Slippers e toblerones
16. A gente usa o Micros, cash out e cash in
17. A gente repete o pedido pra confirmar
18. A gente faz torta de limão, mousse de chocolate ou salada de frutas
19. A gente se vira lá naquele restaurante, dá nossos pulos
E conversa sobre tudo, assim, como se nada fosse. Uma coisa bem Paulo Freire, usar objetos do meio que a pessoa vive. Eu seria alfabetizada, nos dias de hoje, com artefatos de cozinha e bar. Experiência for a lifetime. E tem o vestidinho do mexicano, tem o exustor da cozinha. Preciso registrar tudo, senão deixo os anos levarem da minha catchola.
Chegamos em casa, o Stephen fez um jantarzão para gente. Animal. Tomamos breja e vinho. Descemos para Bondi. Balada zuada, companhia boa. Não tô mais numas da night. Meu negócio é baladinha de sentar, beber e talk shit. A música tava boa, mas tava cheio demais.
Mas eu vou ficar vazia quando a Daryns se for. Bem vazia.
E viva os pedreiros delicia da Oz! Que venham 7, e podem dormir na sala! No repouso pós- almoço. Voltei e dormi ao ladinho so Stephen. Hum. Como ele é bom.
INFO: Esse texto foi escrito em meados de Dezembro ou Janeiro 06/ 07. Anotei tudo que falamos porque são coisas importantes que não quero deixar acabar com o tempo. As I said before, I have lost so many things troughout the years from America. It won't happen twice.
In the meantime... Flavinha já está back in Brazil. O vazio nunca foi preenchido. A Austrália tem esse efeito na gente.
Hoje em dia... Por causa de uma frasesinha solta no ar (ou no msn) eu me peguei pensando se já perdi o bonde do emprego.
- O que será que essa menina de 26 anos ficou fazendo 2 anos na Austrália? RP nem pensar, né? - Mas, senhor, eu enumerei a minha conversa com Daryns e tenho ao menos 15 motivos pelos quais eu fiquei na Oz. Coisas que aprendi. Desculpe, senhor empregador, pode parecer bobagem para você, mas foram de fatos as coisas mais importantes que já aprendi.
- No kidding.
- At all. E sabe por que? Porque a gente teve a coragem e a disponibilidade de largar mão de quem nós éramos para nos tornramos quem nós somos. Em outras palavras, quem em sã consciência largaria seu empreguinho ticket-vale refeição-convênio médico para aprender sobre canapés?
- Hum.
- E nós não temos QI, somos o que somos. Viemos, vestimos a humildade e aqui estamos. Pessoas novas. Willing to take the risk.
Bom, esse foi um treino pro discurso. Well, after all, sabe o que eu acho? Que se me perturba tanto, é porque eu mesma não acredito. Por isso preciso de uma auto-afirmação diária. Ok?
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De bem mais longe, chegou carta da Juila Joyce, mãe de Stephen Joyce. Isso, aquele ser maravilhoso que me acolheu tão maravilhosamente em St. Patrick's land. Segue um fragmento da carta:
"... I am delighted, Veri, that you have enjoyed yourself and specially that you felt at home because that's the way I would like you to feel. It took me 3 weeks to accept that you and Stephen were gone back to Australia. You are a lovely person, Veri, and we all love you very much..."
Eu chorei quando chegou, choro agora quando reescrevo. Muita coisa num pedaço de papel.
Oh, well, Julia! What if I tell you that I will never accept the fact that I have "gone" back to Australia? That I still have those Irish Magic moments very alive in my mind? What if I tell you that there is a mission to be accomplished back in Brazil, that I am willing to have a mindful job, hang around with my mates and beers, see my mom and go to the mall with her every single Saturday, eat my grandma's food that she makes with all her love, take care of my grandaughter? However, despite of ALL of these things, I must tell you: it bloody hurts. The fact that I won't have Stephen's potatos to eat, that we won't walk to the church, go to the beach. And that won't be a summer 2008. My July will have plenty of Winter. Sometimes I wish that you or my mom were not as good as you are 'cause that would make easier the whole decision-make process. Love, Veri
Nunca mandei essa carta. Nunca vou mandar. Ela vai ficar aqui comigo. Ela sou eu.
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Enquanto isso, na sala da Justiça... indo pro KJ às 18h. Trent me mandou calar a boca ontem, em frente de um desconhecido. Ben riu. Só para eu lembrar quando eu chutar a bunda deles em Dezembro. Ah! Pela Erina too.
Gone!
Me.