Friday, May 15, 2009

A Invasão do Gordo


A minha solidão e palpável.

Como se fosse um homem gordo de 100 quilos que invadiu a sala, o quarto, a minha vida. Sem permissão, diga-se de passagem.

O nome dele era “Solidinho” e de tão gordo e gigante, virou Solidão. Gordo safado.

Quando eu penso em me esconder dele, eu o vejo me investigando de longe – pronto para me dar um tapinha nas costas com aquela mão pesada e peluda e dizer: “Hi, hon, I am here”.
Quando eu luto (pela minha própria sanidade) e vou a bares, restaurante e lugares públicos - achando que o Solidão ficou em casa dormindo, ele aparece la também. Só para me lembrar que não importa aonde eu vá, ele estará seguindo meus passos. Entrando pela janela, pulando muros, aquele gordo ridículo! E eu olho para ele, no meio da minha sala, pedindo que ele vá embora, quase em prantos, e leave me alone. Mas não. Ele gosta de me atormentar. Gordo fominha, ele vive de mim.
E esse puto fala todas as línguas porque ele arranja um jeito de entrar nas minhas conversas e nas minhas mensagens de texto. Ele não me deixa entrar em contato com o mundo real. Ele bloqueia meu caminho com aquele sorriso sarcástico me lembrando quão encorpado ele esta. Eu posso tocá-lo.
Para me defender dele, conto com mantras de paz, procurando ajuda. A paz, aquela mocinha frágil e magrela, tem que vir logo e espancar esse gorduchito.

Wednesday, May 13, 2009

Jah Jah Jah era!


“Putz, amiga, esqueci minha maquiagem. Você me empresta seu lápis?”
“Dançando lambada ae, lambada aa...”


“Ca, sou eu, tudo bem? Perdi o email com os horários das aulas. Você pode encaminhar para mim?”
“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia...”

“Oi, Ana. Beleza? Você ainda tem aquele CD do Kiss com você?”
“Adocica, meu amor, adocica. Adocica meu amor, a minha vida”

“Maria, Rebeca, beleza? Seguinte: tem como avisar o Alonso que eu vou me atrasar hoje?”
“De 2 e preste atenção! Portas se abrem e aumentam o poder da visão!”

A mensagem eh clara. O receptor eh provido de entendimento dos sinais e língua-mae. Sendo assim, por que as vezes eh tão difícil estabelecer contato com algumas pessoas? Eu pedi um lápis, me empreste um lápis. Ou não. Fala que o lápis eh seu e pronto. Mas não fuja do tema “lápis”. A mensagem não veio codificada, ela eh mais simples que arroz e feijao em prato de pedreiro. Alias, essa conversa seria mais fácil com um pedreiro. Hey, bro, gotta a job? There you are!

Desse começo de empreitada, tiro duas lições: a primeira e mais difícil eh que “it takes two to tango”. Ou seja, para haver uma conversa, duas pessoas são imprescindíveis. A não ser que você queira talk to the hand. Well, pois bem, quando alguém te pergunta alguma coisa, responda baseado na pergunta. Sem confusão de sinais, blábláblá. Licao numero dois: Vao se fuder maconheirinhos do caralho. Pras $%^&& que te pariram. Não vem com essa historia de erva natural de cu e rola não. E chega de pregar a paz “baseados” em algo que gera trafico, mortes e criminalidade. Hipocrisia infernal. E não esqueça: o baiano tem responsabilidade social!


Fui.

Thursday, May 7, 2009

Tumtumtum Bateu Tumtumtum Bateu



Sem emprego. Sem um tostão furado no bolso.
Uma espinha, três pelos encravados, uma leve treta com o namorado.
Sem saco para falar com ninguém. Tipo, eu tenho meus problemas e quero cuidar bem deles para que eles desapareçam ou me comam viva.
-Alo?
-Alo? Amiga?
-Oi, querida. Tudo bom?
-Tudo bem e vc?
-Ok.
-Meu, deixa eu falar? To com muita raiva do meu vizinho. Voce sabia que é a segunda vez que ele derruba metade do lixo dele para fora da cesta coletiva?
-Jura?
-Nem me fale, e outro dia ele estava entrando e derrubou o caderno. E eu fui pegar o caderno, ele olhou para mim e de repente se queixou de alguma coisa. Se queixou, fez algum comentário que eu não me lembro qual era...
-Hum hum... (Deixa eu procurar emprego)
-... Algo do tipo: Esse prédio cheira mal ou algo assim. Po, se cheira mal, vamos fazer alguma coisa por ele. Deixar o lixo cair...
-Hum Hum... (Deixa eu passar produto na minha espinha)
-... Sei La, sabe, ele não e de todo mal, ele so precisava desse lance de consciência coletiva...
-Hum hum... (Deixa eu, deixa eu, deixa eu me deixa...)
-... Blablablablablabla...
-Amiga, desculpa, mas não tenho tempo nem saco nem dinheiro nem nada para ficar escutando a sua historia. Tem como mandar por email e eu dou uma lida quando tiver tempo? Alguns de nos ainda tem problemas de verdade que precisam ser resolvidos de verdade. Te amo, não fica brava.
Tu tu tu tu tu
(Que vontade incrível de desligar a merda do telefone)

Wednesday, May 6, 2009

Vocabulary issues

Abri o Messenger e Carla* veio falar comigo. Conheceu um cara na faculdade e blábláblá. Aquele fuzuê todo. Primeiros e-mails, contatos, telefonemas e blábláblá. De repente, out of nowhere, ela o descreve com as seguintes palavras: “Ele e meio famosinho”. Famosinho? Como assim, famosinho? Eu indago. Acho que ele e um cara renomado ai do meio jurídico. Famosinho? HAHAHAHA

Meses atrás, essa mesma Carla havia entrado no Messenger e eu perguntei se ela ainda estava saindo com o cara do trabalho dela, da secretaria x, y, z. E ela me lança: “Não, ele foi para a iniciativa privada.” Iniciativa privada? Que? Acho que devo mudar para a iniciativa privada... ou devo contemplar a vida daqui mesmo onde estou.

Carla, eu te amo! Você tem um vocabulário extraordinário! God bless you.

*Nome fictício para preservar a privacidade do famosinho. Ah! E o do brow da iniciativa privada também!

Monday, May 4, 2009

A ausencia TOTAL da duvida, por Manuela De Faveri

Quando indagada sobre como conseguiu tirar 5 no grande Jogo da Vida, Manu responde:

"E sobre o segredo. Eu não sei dizer ao certo, mas vou dar o exemplo do Jogo. Aquela hora foi uma certeza muito grande, por isso que rolou a minha vitória. Me bateu uma ausência total de dúvida. O que me parece é que, quanto maior seu nível de confiança, mais rápido as coisas acontecem. Claro que vc vai ter muitos momentos de "talvez", pq vc é humana e tende a racionalizar e ter um certo nível de pessimismo. É uma forma de tentar se proteger de algum tipo de frustração futura. Tipo, se não acontece, vc diz "viu, alguma coisa me dizia que não ia rolar". Mas é exatamente o contrário: quando dizemos pra nós mesmos que pode não rolar, é bem provável que não role. Dúvidas surgirão. Isso é fato, pq ainda não somos iogues ou buda. Cabe a você tentar espantá-las o mais rápido possível. Quando bater uma insegurança, chuta pra longe e foca no que vc ja conseguiu."

Sabias palavras de uma sabia amiga.