
Ela é alta, loira, magra, querida, linda e falante. Segundo ano de Administração, já decidiu que quer RH. Recrutamento & Seleção. E a gente vê nos olhos dela o brilho e a determinação de quem, de fato, sabe a que veio. E, apesar da pouca diferença de idade, eu me vejo nela anos atrás quando eu tinha certeza do que queria. Mesmo não tendo certeza de nada. Profissionalmente falando. Aquela garra de mandar currículos, pedir conselhos, sem muitas manias ou colocando barreiras. Aquele "freshness" de quem está começando, sem achar nada ruim. Mil matérias novas na faculdade - umas te interessando mais, outras menos, outras not at all. Assessoria? Demorou. Comunicação Interna? Adoro. Empresona? Claro. Seguradora? Que maravilha! Você ainda não sabe exatamente a parte boa e a ruim de cada coisinha especificamente e se joga no que aparecer com o amor do Pelé em meados de 50 correndo para a bola.
Daí comigo foi mais ou menos assim. Anotava coisas num caderno, processos, me inscrevia, cansava as maõs. Mas mal podia esperar para pôr a mão na massa. Sabia que queria e que podia contribuir. Isso, em qualquer campo, é premissa para ser feliz. Você quer, sabe que quer e corre atrás. Esse lance do novo-bom é de deixar speechless. É um dos pontos para ser contratado em alguns lugares: tá, você nunca trabalhou em um bar então não tem os vícios da profissão, eu te ensino do meu jeito. Esse "freshness" é muito apreciado por muita gente.
Quero sentir isso de novo. Essa vontade inexplicável de descoberta, de fazer algo novo, essa mesma "chaminha" que motivou a gatona da foto a ir batalhar o estágio sem colocar preço, local, tamanho na frente. Que me motivou a ser au pair, a vender reciclados, a dar aulas de inglês, a ir para Austrália, a ser hostess. Essa chaminha mágica que move montanhas.
Hoje em dia a minha tá meio fosca.
Mas fico bem feliz em ver isso na minha amiga Pestaninha.
Muito mesmo. É coisa de velho, mas ela é a Veri de 2003.
Amém.