O nome dele era Jose e ele foi muito bom enquanto durou. Posso dizer que foi eterno enquanto durou, se pa. Mas pro final foi ficando zuado – ele ligava, eu evitava. Eu fazia hora na escola so para evitar o encontro. Eu inventava compromissos para nao ter que ir naquele jantar. Eu ficava sem ligar por horas, dai batia a culpa, e eu ligava.
Esse relacionamento ja estava sentenciado a dar errado. E deu, sem surpresas. Ele era legal, eu era legal, mas finito. Para mim. Porque o Jose continuou me seguindo, me ligando, gritando, chorando, me amava, me adorava, blablabla. Ate hoje, quase 10 anos depois, tenho a sensacao de que a qualquer momento ele vai me ligar pedindo mais uma chance, blablabla.
Anos se passaram e eu conheci o Joao. A historia eh a mesma – amor, cartinhas, promessas, sonhos, emails, amor, amor, amor. So que nessa historia eu sou o Jose. Esse cara - ate entao amor da minha vida - comecou a evitar as minhas ligacoes, meus emails, presentes, minhas juras de amor. Quando nao dava mais para rolar nada, e ele ja nem raiva sentia de mim, ele terminou. Sem muitas pompas, so acabou. Como se estivesse parado na minha vaga e, de repente, tivesse tirado o carro. De uma vez so. Eu, naive-naivissima e cheia de raiva, comecei a falar mal dele para Deus e o mundo. Chorei, gritei, implorei amor. Cuzao, nao vale nada, maldito.
Pensando bem, acho que ele deve ter a mesma sensacao que eu tenho - ate hoje. Ele deve achar que a qualquer momento eu posso invadir a vida dele pedindo mais uma chance, como se nada fosse:
-Alo, ainda te quero.
- Hein?
- Eu, Veri. Te amo. Volta pra mim.
- Quem?
Acho que a vida eh assim – nem sempre voce gosta de quem gosta de voce e quase nunca a pessoa que voce gosta tambem gosta de voce. Fazer o que? Milhares de pessoas todos os dias passam pela triste arte de decepcionar ou de ser decepcionado. O melhor que a gente pode fazer eh tratar as pessoas com respeito. Sem culpa ou desculpa.