
Acho que foi assim que comecou a minha conversa com Ju, minha irma, essa manha. Ela disse que nao conhece a tal arte de evitar o sofrimento, mas que sabe a arte de nao falar sobre ele. O que, de certa forma, eh evitar o sofrimento. Mas nem precisamos falar. So sentir o fodastico arrepio na espinha e o medo de tudo de dor que possamos passar. Queremos conforto.
O homem sempre quis conforto, desde as epocas da Caverna de Platao. Senao ele teria ficado la dentro, vejamos... ate hoje. O homem quer se aventurar em arriscadas empreitadas nessa vida, mas sempre que possivel, toma medidas de precaucao para o "fall back" plan.
Para morrer basta estar vivo, eles dizem. O homem precavido faz mil seguros de vida e saude. O homem quer correr os 120 km/h no seu carro, mas nao quer perder o bem. Seguro de carro. O homem quer encher a cara e zuar no sabado, mas nao quer enfrentar os efeitos colaterais no domingo. Ate remedio especializado em ressaca a gente inventou. Cortar os efeitos.
O homem quer comer "All you can eat" buffets, mas nao quer passar pelo desconforto estomacal. ENO. tsssssssssssssssssss. A gente quer viajar e conhecer o mundo, mas nao quer deixar nada que ama para tras. Os pais, o cachorrinho, o namorado gringo. Mas ainda nao inventaram remedio para isso. Eh uma dor que a gente tem que vir: a incansavel e martelavel dor de ter que sempre deixar algo para tras.
A insustentavel leveza do ser, aquela coisa de in orther to be happy, we have to be sad. E doi pra caralho.
Nao so de dores se faz minha vida. Fui ontem na cartomante mais chinfrim do Hemisferio Sul. Devia ter bebido aquele dinheiro. (don't you worry, I drank it anyways). Dizia no folheto que nao poderiam falar de morte ou jogos. Assim que eu sentei, ela mandou eu jogar na loto ate eu ganhar. Ok. Fingi que nao ouvi. Stephen rindo. Depois falou de morte. Ok. Depois mandou o Stephen vir para o Brasil. Viu pessoas felizes com meu retorno para o Brasil. Bom, at least...
E nada com nada. Uma carona loura olhando para mim. So gostei que ela falou que meu numero 8 eh o numero do infinito e muito raro nas pessoas (meu nome e meu nascimento). Lisonjeada. Tenho muita sorte, ela disse.
Incrivel como eu so ouco o que quero ouvir.
It's been always like that.
Amo.
Mais.
Mais.
Mais.