
- What exactly is it that you wanna do?
- She wants to do what she is qualified in, Stephen said (not knowing exactly what da hell that means).
- And what is it, Veri?
- Well, I am a Public Relations...
Acho que este foi o primeiro momento que tive contato com a dura realidade do "qualified in". Em primeiro lugar porque: quem disse que eu sou qualificada em ser RP? Ser qualificada, no meu breve entender da Língua Portuguesa , já me conferiria um alto grau de sabedoria, hábito e dominância sob o tema estudado. Am I a qualified Public Relations? Afinal, o que é um Relações Públicas? Todo o blablablá esquerdista e direitista da faculdade tentou explicar durante anos e poucos de nós absorveu o conteúdo. Quiçá, ninguém.
Enfim, ok. Passada a etapa etimológica da minha dúvida existencial, eis a crise que começou a me afligir: qual a real necessidade de termos tantos Relações Públicas, Advogados, Médicos e Fisioterapeutas? E essa dúvida surgiu de um devaneio com minha querida amiga Paula. Qual a real necessidade de tantos e tantos e tantos profissionais graduados em escolas com baixo capital intelectual? Por que o Brasil tem um milhão de faculdades e depois coloca Engenheiro para coletar lixo? Como você se sentiria se fosse a um Médico Especialista tratar de seu problemas congênitos neurológicos com o cara da Uni Beira Mar de Caximbó da Extrema Leste? Hum? Dói.
O fato é: na grande maioria dos países da Europa temos escolas profissionalizantes pós-escola. Como se fora um curso técnico de matérias variadas. Animação, Design, Tecnologia da Informação, Carpintaria, Encanador, Pescador, Mecânico, etc, etc, etc... Diversas profissões de fato úteis para o bom andamento de uma sociedade que se preze. Mas no Brasil todo mundo nasceu para ser Diretor de Marketing da melhor empresa alemã. Todos mundo nasceu para andar de jatinho do Oiapoque ao Chuí. A gente quer uma sala com janela, tela plana e mil Blackberries e afins. E que se phodda se eu sou feliz. Em vias de fato, dos menos de 1% das pessoas que pertencem ao mundo real chegaram a esse estado de nirvana. Temos 99% de frustrados. Ponto.
O Brasil continua formando milhões de profissionais anualmente que depois deixa na rua da amargura do desemprego. Depois faltam costureiros, mestres de obras, encanadores decentes... Porque, na verdade, estes que o são, o são por falta de opção. "Mamãe queria tanto que eu fosse Administrador de Empresas...". Ninguém nasceu para ser Corretor de Imóveis ou Vendedor de Peças de Filtro de água Europa. O fazem porque não há quem os queria de paixão.
E que venham os bolivianos, e que continue a movimentação contínua e pouco programada entre os estados brasileiros. Que mata de sede uns e deixa outros sendo assaltados. Depois, por medida de emergência, põe taxa em Ilha Bela para turistas de um dia. Não queremos essa pobretada aqui não. Como se fora uma grande Espanha barrando seus próprios irmãos brasilenõs. O Brasil não sabe e nunca soube (quem dera se um dia souber) atacar a causa do problema e não lançar medidas extremas de repressão.
Precisamos parar de produzir futuros desempregados e treinar a mão de obra que poderia se tornar economicamente ativa no país. Parar de importar os hermanos da América Latina para viver em sub-vidas. Será essa a solução?
And, by the way, what are YOU qualified in?