Tuesday, April 22, 2008

Parte 1 - Implorando


Entrou correndo no apartamento depois de ouvir o telefone aos berros da escada de emergência. Fazia questão de subir de escada para queimar as tortinhas de morango do café-da-tarde da agência. Ofegante, atende:

- Alô!
- Bi, chegou?

- Quem é? (mesmo já sabendo do que se tratava)

- Tavinho. Tudo bem com você?

- Gato (ai, que mania de chamar de gato o brother pela qual não é apaixonada), acabei de chegar, tô com sacolas, guarda-chuva e tudo mais. Posso te ligar em 5?

- Claro.

- Beeeeijo.

Se desfez do guarda-chuva, da sobra do almoço e da pasta do trabalho. Tudo em seu devido lugar. Correu pro banho demorado de pré-encontro à moda antiga. Primeiro encontro. Cinema, jantarzinho, café. Quiçá um vinho no apê. Arrumou o porta-retrato da sala: fotos de família, cachorro. Imagem de alguém sociável com grande paixão pelos seres vivos em geral. Separa a roupa escolhida, sorri para ela, olha no espelho e manda um leve beijinho. Corre pro banheiro. Sabonetinho, óleos de maracujá, creme de raízes da terra, rolou até um ultra-moderno à base de canabis sativa. Oka. Sai bem do banheiro.

Telefone. Trim Trim. Trim Trim.

- Alô?

- Oi, Bi, Tavinho.

- Fala, gato. Desculpa não ter ligado, tô no meio de uma corr...

- Ah, é? Vai sair?

- Não, quer dizer, sim...

- Hum...

- No que posso te ajudar?

- Queria conversar sério com você. E sóbrio.

- Pô, cara, hoje não vai rolar. Já tinha programado de ir lá mesmo.

- Lá onde?

- Reuniãozinha boba.

- Se é boba, fala comigo.

- Olha só, gato (forçando um carioquês para aliviar as duras penas de ser cuzona), eu tenho que ir nessa mesmo.

- Tá. Depois a gente se fala. Você leu meu e-mail?

- Nada, tive que sair o dia todo hoje. Faz assim, amanhã eu leio e te ligo.

- Tá.

- Tá.

- Beijos, Bi.

- Beijos, Lindo.


E correu para a produção artística de uma estrela-to-be.

(To be continued)