
"Mas os anos estão passando e ele parece que não passa com os anos. Cada vez mais bobo, mais juvenil."
E não. Na verdade, segundo Lú, a gente que está mais exigente. Não é para menos, começamos a faculdade em 2000. 7 anos se passaram. Para alguns.
Antes a gente flertava, se me permite dizer, com o cara mais bonitinho. Ele tinha que ser bonito, engraçado, se destacar na multidão. Uma roupinha boa ajudava. Nem precisava ser de marca, mas tinha que ter estilo. Mostrar a que veio. Fazer duas faculdades ajudava. Ter conseguido um estágio em lugar legal ajudava mais. Um carro para te buscar, um CEP, um telefone bom. Medo da gente. Suas amigas tinham que achar ele foda. Por portfolio, porque ele já tinha ficado com as mais top, ou por qualquer motivo que deixasse ele foda. Reconhecimento, a gente sempre buscou reconhecimento.
Você ficou com ele na formatura? Adoro.
Nem precisava ser muito demais. Bastava ser reconhecido como tal. Às vezes nem você achava ele tudo isso, mas o histórico construiu a fama. E você se deliciava em beijar alguém assim. Playboyzinho, eclético, um DJ quem sabe. Ou alguém que manjasse de McInstosh. Jesus, que critérios bizarros.
A gente ria de piadas sem graça, a gente se acostumava ao que o cara demandava: "Não, não. Pode ser quinta."
Mesmo que você tivesse que trabalhar até às 21h e acordar às 6h no dia seguinte. Saia correndo do trabalho, depois de um quick look no espelho, e ía apavorada pontuar. Porque sim, era como um grande campeonato de ficadas. Ficar nem era o mais importante, o mais legal era contar depois. Com detalhes. Mesmo que superlativados. Aliás, na maioria das vezes, o eram: "Jura? Ele fez isso?"
Pois sim. Os anos passam, o tempo passa, o Bamerindus que o diga. E de repente, os caras mais disputados e almejados da época de colégio/ facul parecem que não passaram. Continuam lá na grande virada do século. Como se nada tivessem vivido ou aprendido nesses anos. Sem novas piadas, o mesmo cabelo, a mesma roupa e vontade de impressionar.
Quem, cara pálida? Quem?
O que a gente quer, mulher crescida, é alguém que te respeite. Seus horários, seus gostos, suas necessidades e até aqueles quilinhos a mais pós-férias. Alguém que te admire, te conforte e te pergunte como está. De verdade, do coração. Alguém que cuide da gente. 24/7. Vendo de longe, parece mais simples encontrar esse cara. O nível de exigência e a aprovação das amigas não mais estão no checklist. Mas, paradoxalmente, tá cada vez mais difícil.
Os boring couples já estão se casando. E fazendo DVDs para atrapalhar os churrascos da galera. Os normaizinhos já estão na breguice do álbum de família. Sobraram os estranhos, os desajeitados, os que buscam uma sintonia maior. Que não me chame de vida, mas que preencha a minha. Utópico, talvez. Mas nós, mulheres crescidas, não desistiremos. Já vencemos a fase de acreditar em soulmate. Agora queremos um lifemate. Alguém que aprecie a vida sem moderação. E sem fingir ser alguém que não é só para encabeçar a lista dos queridinhos.
Pô, Eros, é pedir muito?
ps. O meu taqui.