Eis que andando de volta para casa, pego um atalho diferente. Atalho nada. Mais longo, mas diferente. Aqui na Oxford St tem um tainning house sort of thing. Com aparelhões para as aussies ficarem moreninhas. Há umas semanas, tinha anúncio de trabalho. Agora tem um papel que diz:
Massage Soon! 11 Years Experience in Italy and locally.
Até aí, ok. Mas o número 11 estava escrito a mão...
-Faz logo aí o cartaz para gente colocar na porta.
-Mas eu não tenho nenhuma informação dele.
-Qual o nome dele mesmo?
-Piero.
-Põe Itália. Ele é novo?
-Novo?
-Quantos anos tem esse homem, pelo amor de Deus?
-Sei lá, 30, 40...
-Tá. Coloca Experiência na Itália, deixa um espaço pro número e a gente põe mais tarde.
-Ok.
E aí se dão as tosquices em minha mente...
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Eu no café, limpando pela vigésima vez a mesma mesa. Quando você não está busy no office proper job & Co., você vai na net, liga pros brothers, cigarro, café, fofoca. Ou inventa uma reunião. Quando você não tá busy no shitty job, they make you clean. "Veridiana, when we are not busy, we clean, clean and clean". E tô lá eu quase numa paranóia delirante, limpando e limpando as 15 mesas que eles têm, eis que ouço uma música...
"É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe..."
E o dia todo no café foi música brasileira.
Boa. Nada daquela cafonisse pagodeira. Coisa boa.
E, ouvindo aquilo tudo, resolvi ser alegre. E não ser triste.
And carried on my cleaning job.
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Não sabia que as coisas aconteceriam tão assim, tão de sopetão. Mas a imensa vontade de ir para casa chegou e se instalou. Tô considerando puxar o carro. Saco cheio de brigar todo dia, saco cheio desses trabalhinhos e afins. Se ele não me quer de dia, ele não me terá at all.
Afinal de contas, privilegiadamente, nasci em 1981. A reforma libertária feminista já tinha rolado anos antes. Muitos bras já foram queimados para que hoje eu pudesse decidir no que trabalhar. Amigas, a luta continua. Não vou deixar o ato morrer em vão.
Amo.
Amo muito.
Yo.