
Quando eles souberam que Paris estava no roteiro da viagem, 1 em cada 2 pessoas fazia a piadinha: "Vai voltar casada", "Ele vai propôr no topo da Torre Eiffel", "Depois de conhecer a família, vai para Paris? Já vi tudo...". E nesse nível íam os clichês correndo soltos.
Eu, que nunca tinha pensado seriamente em casar nem nada (claro, todas as meninas querem casar, mas isso não é fator 1 na minha vida), comecei a considerar a situação. E se ele propusesse, out of the blue, no topo da Torre? E se ele me chamasse para jantar, pedisse vinho e o garçom viesse segurando uma caixinha (seja azul, seja azul, seja Tiffany's!). Por algumas vezes, enquanto ainda na Irlanda, me peguei pensando na possibilidade.
"Bom, eu já estou aqui mesmo, conhecendo a realidade. E se num ímpeto de amor e paixão louca, ele me pede em casamento? Eu mandaria a vida corporativa e o Brasilzão às favas...", eu pensava baixinho.
Depois de ver o vídeo e o álbum de fotos da irmã mais velha (mais velha que ele, mais nova que eu, diga-se de passagem), comecei a me imaginar naquelas fotos. Talvez eu mudasse o cabelo e os arranjos de flores da igreja, mas o vestido era lindo, a recepção foi alegre e a missa foi suprema! Me imaginei fazendo discursos em Inglês e Português, que seriam mais ou menos assim:
"From the moment I've seen you, I knew you were the best man I could ever meet. Your integrity, dignity and these blue eyes never lyied to me. We are meant to be. And I want to thank you all for coming and helping us to confirm to God that, yes, we are one and only Joyce couple". E eu desabava a cantar Marisa Monte... Bem que se quis... ou algo assim.
Daí eu falava tudo isso em Português para o meu pai, já bored e drunk, entender. O Lucas, Zoppa, Lú e Gargiulo estariam lá também. E a Michelle do Sto Antônio. As mães chorando, meu pai enchendo a cara. Meio tortinho, tentando o mínimo de comunicação com os Irish lads. Entrando na Igreja com Elvis: "... For I can't help falling in love with you...".
Eu compraria meu vestido no Brazil, em reais, para ser bem diferente do que eles conhecem. As minhas bridemaids estariam de verde, half Irish, half Brazilian. Recepção no hotel, etc. Lua-de-mel em algum lugar quente. Cabelão liiiiso, mais liso que a vida. Guinness, vinho, champanhe, vídeos, fotos, carrão. E o Stephen lindo, mais lindo do que nunca.
Hora de ir para Paris. Eu estava mais preocupada em chegar lá no hotel logo porque o booking ía até às 18h e saímos de Dublin às 17h. Ou seja, catástrofe. Estaríamos na rua. Da amargura. Logo ali, perto de Sacre Cour. Tudo deu certo, apesar dos meus stresses loucos que tomam conta de mim. Mil cigarros, uma breja. Dia seguinte, nublado, Louvre. O próximo dia vamos à torre. Nada desses devaneios me passaram pela cabeça.
Stevo, do you have the camera?
What?
Come here, give me the camera!
Cerca de 1 hora na fila para subir ao segundo andar. Calorzinho, friozinho, todas as estações do ano passam por Paris em 1 hora. Subimos. Descemos. E ele nunca perguntou.
Eu não imaginava que ele perguntasse, pensando bem eu prefiro que ele não tenha perguntado. Mas, sinceramente, esse anjo que mora dentro de mim é louco por um vestido branco! Racionalmente, eu tenho que voltar à Pátria amada. Mas, um pedido assim, podia mudar toda a minha vida. Humpf. Sei lá. Eu diria sim com certeza. Não sei dizer não. Ainda mais à minha atual situação encalhada aos 26. Prestes a voltar ao Brazil, com z sim, para a vida de bachelorete. Oh, well, tudo a seu tempo. No final, eu preferia mesmo escolher a aliança. Azul, azul, azul. Não abro mão.
O que pesou foi voltar para Sydney sem a pergunta, sem muito menos respostas. As pessoas insistiram em saber...
Eiffel Tower? It was awesome! We went up, we came down.
And?
And then we went to Museé D'Orsay, which is fantastic! All Monets, Van Goghs and stuff. It amazes me... e começo a contar do museu x, do restaurante y.
(sim, existe um sore spot no meu coração, aqui onde mora o anjo, que ainda não se conformou em não ter ouvido a pergunta. A minha desculpa para ele é que Stephen deixou a pergunta cair do topo da Torre e alguém usou na próxima subida).
Ele acreditou. Eu ainda não. Hopefully, one day.
ps. ao contrário de Carrie, eu tenho meu gene matrimonial em ordem. Se replicando com o passar dos anos...