Sunday, November 11, 2007

Diga-me com quem tu andas?


- Te falei que ela está me devendo dinheiro?

- Mentira. Quanto?

- Uns bons mil reais. Emprestei ano passado, sabe? Ganhei um bônus do trabalho, resolvi dar uma de Madre Teresá de la América del Sul.

- Ah, meu...

- E não é só pelo dinheiro, sabe? É mais a consideração. Ela precisava pagar a mortgage dela lá do apê que ela comprou na praia.

- Chique tua irmã.

- Chique...

PAUSA

- Você quer uma cerveja?

- Não, vou tomar vinho hoje. Me acompanha.

- Claro. Dois house, por favor.

- Tá, mas continua.

- Tem o dinheiro, daí ela aparece com blusas novas, calças novas, celular que cabe no meu ouvido. Quase entupiu meu canal auditivo!

- Mentira.

- Juro. E tem aquele carrinho importado, financiado e tals. Mas e daí? Eu continuo apostando nacional, cara.

- Eu sei.

- Mas, deixa, ainda vou falar com ela. Isso não se faz. Putz! Te falei o lance do namorado?

- Qual?

- Ela está saindo com um mocinho do trabalho e o namorado não faz nem idéia...

- Sério?

- Juro. (Olhando pro copo de vinho, afogando todas as mágoas resistentes e que sabem nadar!)

- Será que você não está exagerando, Gi?

- Nada, menina. Tenho certeza de tudo que estou te contando.

- Olha? Se é mesmo verdade, acho que tua irmã é uma folgada, desnaturada, traidora e cruel. Deve ter faltado para ela uns bons tapas na poupança.

- Que?

- Tapas na poupança!

- Escuta: quem é você para falar assim da minha irmã?

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Believe me or not, de quem a gente ama, só a gente pode falar mal.

And that's about it.


ps. História fictícia para ilustrar um experimento que já passei por n vezes na vida.

Eu falo, você ouve.


Olé!