
- Te falei que ela está me devendo dinheiro?
- Mentira. Quanto?
- Uns bons mil reais. Emprestei ano passado, sabe? Ganhei um bônus do trabalho, resolvi dar uma de Madre Teresá de la América del Sul.
- Ah, meu...
- E não é só pelo dinheiro, sabe? É mais a consideração. Ela precisava pagar a mortgage dela lá do apê que ela comprou na praia.
- Chique tua irmã.
- Chique...
PAUSA
- Você quer uma cerveja?
- Não, vou tomar vinho hoje. Me acompanha.
- Claro. Dois house, por favor.
- Tá, mas continua.
- Tem o dinheiro, daí ela aparece com blusas novas, calças novas, celular que cabe no meu ouvido. Quase entupiu meu canal auditivo!
- Mentira.
- Juro. E tem aquele carrinho importado, financiado e tals. Mas e daí? Eu continuo apostando nacional, cara.
- Eu sei.
- Mas, deixa, ainda vou falar com ela. Isso não se faz. Putz! Te falei o lance do namorado?
- Qual?
- Ela está saindo com um mocinho do trabalho e o namorado não faz nem idéia...
- Sério?
- Juro. (Olhando pro copo de vinho, afogando todas as mágoas resistentes e que sabem nadar!)
- Será que você não está exagerando, Gi?
- Nada, menina. Tenho certeza de tudo que estou te contando.
- Olha? Se é mesmo verdade, acho que tua irmã é uma folgada, desnaturada, traidora e cruel. Deve ter faltado para ela uns bons tapas na poupança.
- Que?
- Tapas na poupança!
- Escuta: quem é você para falar assim da minha irmã?
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Believe me or not, de quem a gente ama, só a gente pode falar mal.
And that's about it.
ps. História fictícia para ilustrar um experimento que já passei por n vezes na vida.
Eu falo, você ouve.
Olé!