Excuse me. Sure. What's up?
Can I see your passport, please?
Of course!
Oh, well, what is my visa doing in your passport?
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Olha lá embaixo!
O que tem?
Chega mais perto.
Hein?
Daqui, olha daqui.
Splash!
E caiu da ponte.
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Tá. Que a Maggie usa meu visto desde meados de Julho do ano passado, ok. É uma coisa que me incomoda deveras, mas que por um motivo ou outro eu fui deixando não me atingir. Horas porque eu tenho certeza que meu lugar é em São Paulo, horas porque eu me coloco no lugar dela e imagino que deva ser mais fácil ter um visto de 4 anos como residente. Fine. That's fine. Mas por duas vezes o fato de ela ter meu visto no passaporte já europeu e já cor bordô (bordeaux?) hit me like a bomb.
A primeira foi lá em Outubro, Novembro last year. Eles aplicaram pro visto em Julho. Eu conheci o Stevo dia 06. Pegou o visto dia 06 de Agosto ou algo parecido. Aplicaram para o defacto, que saiu meses depois. A gente se lamentando em Bondi de eu ter que pagar 1000 dólares a cada 3 meses, ter que ir na aulinha picareta do professor de Bangladesh (sim, é um país) e só trampar as 20 horas legais. Eis que chega uma mensagem dela: "Happy days. I got the visa". O governo estupidamente aussie reconheceu a irish girl como namorada do meu namorado e conferiu a ela (que porra, já é irish, já fala inglês, já tem olhos verdes) um visto semi-eterno. Um quase passaporte para o sucesso. Doeu minhas entranhas. Doeu demais.
Reclamei por meses, chorei de raiva, pensei alternativas. Mrs. Walsh, a agente da imigração que cuida do caso, disse que era simples as anything: liga para sua empresa, avisa que trocou de namorada e pega esse visto que lhe é de direito. O problema é que, fazendo isso, a nossa querida Maggie teria 28 dias para deixar o país. OU, alternatively, ela podia ir colher frutas. Parece piada. Mas é a mais piadística das duras realidades. Para pegar o visto dela e transferí-la para um working holiday visa número dois, ela teria que ir colher frutas por 3 meses em Victoria.
- Is there anything else that she could do to extend her visa? (perguntei para a mocinha da empresa de recolocação)
- Yes. She could work in a meat factory.
- I beg your...
- Yes. Packing meat.
Tipo, história de terror. Ou você se mata na lama da fazenda. Ou você vai trabalhar num matadouro.
- Tell her, Veri, that she can go picking cherries, grapes. She does not necessarily has to pick up potatoes or carrots.
- I am sure this will convince her.
- Or she can go packing fruits. Easy.
Easy para você que nasceu dona de uma cidadania australiana. Enfim. Como você pode mandar alguém assim: "Ai, vai plantar batata porque eu quero o seu visto". I can't believe in life. Too sarcastic sometimes. Se é cherries e grapes, você pega aqui em cima. Potatoes e carrots tem que ajoelhar num calor traumatizante de global warming-sem-camada-de-ozônio. E haja moscas que pousam em você!
O fato é: parei de me torturar com essa história tempos atrás. Quando fui para o Brasil S/A, descobri um país com minha vovó Elena, minha mamãe, café preto bom e amigos always there for you. Isso me convenceu de que meu lugar é na South America. No entanto, com a chegada do fim de uma era de dois anos, a pergunta se instala: Why? Why leave Oz? E a vontade de ter meu visa de volta ao passaporte verdinho com minha carona na porta da frente, aumenta. Muita raiva.
Sempre achei que a Maggie não sabia que eu queria o visto. Tenho certeza que, sendo minha amiga (e o mais importante: sabendo o quanto o Stevo gosta de mim), se ela soubesse que eu estou indo embora por causa do visto, ela me dará com certeza. E eu, que nem mais polite me preocupo em ser, pego sem pensar. Ok. Sempre achei isso. E estava feliz assim. Eis que domingo estamos em Coogee. Eu estou falando com Monica e Michelle, duas queridas do KJ, Stephen está falando com o Irish crew.
Ok. Horas mais tarde ele vem e me diz: "Maggie said she is gonna move to Bondi. If I wanna move with her..."
Que?
Que?
Ela sabe que eu vou embora. Ela sabe o PORQUÊ de eu ir embora. E já está tramando com meu namorado o meu falecimento. Como se nada fosse. Eu vou. E a vida (e o visa) continuam. Ai, dói. Não quero vê-la por umas boas semanas. Juro. Tô muito pê da vida. Eu jurando que a amapô não sabia. Sabe o que mais me irrita? Se fosse qualquer outra pessoa (ex. Anna striperella da Inglaterra) e eu estivesse contando para ela, ela diria: "This visa is yours for right. Go and take it, Veri. Do it".
Ai, dor de estômago só de pensar.
Vou acender um cigarro.
Raiva.
Ciao.
Até tinha mais assuntos, mas não rola.
Ciao.